
Nos anos 80 nem Woody nem Buzz Lightyear, o brinquedo mais popular do cinema era um boneco de cabelo avermelhado, vestindo um macacão com a frase “Good Guy” (Cara Bom) bordado no peito, mas empunhando uma faca na mão e pronto para matar qualquer um. A pergunta agora é “Quem ainda tem medo do Chucky?” Para responder essa pergunta chegou ao StarPlus a série “Chucky” que já confirmou a segunda temporada. Boa oportunidade para relembrarmos os filmes produzidos até agora com o personagem criado por Don Mancini, que mostra o resultado da primeira temporada da série, ainda possui muitos fãs.

No filme original, “Brinquedo Assassino” (Child’s Play) de 1988, Chris Sarandon vivia o papel de um corajoso policial, que se interessa romanticamente por Karen (Catherine Hicks), a mãe de Andy (Alex Vincent), e vem a desconfiar do poder sobrenatural do boneco infantil “Good Guy”. Na época, o filme era apontado como um triunfo dos efeitos especiais convincentemente sincronizando movimentos, expressões faciais e labiais na voz de Brad Dourif, que fazia o assassino Charles Lee Ray cuja alma corrompida vem a habitar o boneco Chucky com a intenção de transferi-la para o corpo do menino Andy. O nome do vilão é um amalgama de três assassinos da vida real: Charles Manson (assassino, Lee Harvey Oswald (assassino de John F. Kennedy) e James Earl Ray (assassino de Martin Luther King). Don Mancini, o criador de Chucky posteriormente disse que a história original ganhou elementos de vudu quando seu roteiro original foi refeito por John Lafia e Tom Holland, diretor do filme. O sucesso levou a um total de 6 sequências: “Brinquedo Assassino 2” (1990), “Brinquedo Assassino 3” (1991), “A Noiva de Chucky” (1998), “O Filho de Chucky” (2004), “A Maldição de Chucky” (2013) e “O Culto de Chucky” (2017), sendo os dois últimos lançados diretamente no mercado de home vídeo. Entre todos o mais interessante é “A Noiva de Chucky” de Ronny Yu em que a franquia assume de voz o tom de “terrir”, sem se levar a sério afinal são dois bonecos possuídos, o outro sendo a voz de Tiffany (Jennifer Tilly), numa homenagem/paródia ao clássico “A Noiva de Frankenstein” (1935). Desde “O Filho de Chucky” que o próprio Don Mancini assumiu a direção dos filmes, mas não aprovou a refilmagem de “Brinquedo Assassino” realizada devido a uma brecha nos direitos do personagem desde que o início dos anos 90.
A refilmagem dirigida pelo norueguês Lars Klevberg, em seu segundo trabalho,adaptou a história aos tempos atuais, eliminando o clichê de possessão espiritual, trocado pela inteligência artificial. O novo Chucky ainda veste um macacão, agora trazendo a palavra “Buddi” (Companheiro), Presenteado ao menino, Chucky mimetiza as frustações, medos e sentimentos mal-direcionados de seu dono, o menino Andy (Gabriel Bateman que esteve no elenco de “Annabelle” em 2014) que se sente mal por não ter a atenção desejada por sua mãe (Aubrey Plaza). Ela trabalha muito e ainda namora um homem casado, logo um brinquedo interativo parece ser uma ótima ideia pois Andy se sente deslocado e solitário muitas vezes, em plena pré-adolescência, um período difícil que deveria ser suavizado pela amizade com Chucky. O que Andy não sabe é que seu amigo iria levar todos esses sentimentos às últimas consequências a medida que tenta agradar e proteger Andy. O grande vilão pode não ser exatamente o boneco, mas a ausência familiar, o que fica na superfície da narrativa pois se trata de um filme de terror e não drama. Chucky planeja, age sorrateiramente e mata por Andy, desprovido de qualquer limite moral. O detetive Mike Norris (Brian Tyree Henry) parece entender a solidão de Andy e começará a desconfiar do rastro de sangue que se seguirá. Sai a voz de Brad Dourif, agora substituído por Mark Hamill (o Luke Skywalker de “Star Wars”), Tantas mudanças desagradou a Mancini e a muitos fãs dos filmes pregressos. Nesse ponto a série resgata todos os personagens do original, incluindo Tiffany (Jennifer Tilly) e, em breve, outros que fazem do filme lima divertida franquia do mais puro terrir. E pensar que quando criança o Falcon nunca ganhou vida, mas bem que podia !
