Por Adilson Carvalho

Vocês conhecem o nome: Bond, James Bond. Todos conhecem o número: 007 (Os dois zeros à esquerda significam que ele possui licença para matar). Há 60 anos, ele vem, periodicamente, aparecendo nas telas do cinema e conquistando uma legião de fãs, naquela que se tornou a franquia mais lucrativa da história do cinema. Enquanto aguardamos a escolha do substituto de Daniel Craig, vamos lembrar com detalhes do primeiro filme da franquia com esse artigo, dividido em três partes a partir de hoje no CCP. Bond foi criado no contexto bipolarizado da guerra fria. É caracterizado como um fiel espião a serviço de sua majestade, cuidando dos interesses do MI6 – o serviço de inteligência do Reino Unido, cuja existência só foi oficialmente reconhecida em 1992. Apesar de lutar por um equilíbrio de forças, suas ações nem sempre são moralmente corretas, já que conquistas amorosas são, para ele, munição para o seu “trabalho” tanto quanto os cartuchos, em sua pistola Walter PPK.

O Criador – Fleming, Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres, em 28 de Maio de 1908, o segundo filho , dos quatro, do Major Valentine Fleming, seguiu uma educação conservadora, tendo estudado no Eton College, tradicional escola britânica, onde também estudaram os príncipes William e Harry, atuais herdeiros da coroa britânica. Depois de Eton, Ian entrou para a Real Academia Militar de Sandhurst, mas, contrariando a vontade da mãe, não seguiu a carreira militar e deixou Sandhurst para estudar idiomas na Suíça, aprendendo a falar, fluentemente, o Francês, o Alemão e o Russo, o que foi fundamental mais tarde para os passos que daria até chegar ao seu sucesso editorial. Fleming viveu – ele próprio – as intrigas do período da guerra fria, já que trabalhou para o Serviço de Informações da Marinha Britânica, durante a Segunda Guerra, onde empregou sua incrível habilidade com idiomas. Fleming chegou a alcançar a patente de Capitão-de-Fragata (Commander). Fleming também foi jornalista, tendo trabalhado na agência Reuters, por três anos, e, depois da guerra, chegou à editoria internacional da Kemsley Newspapers, dos mesmos donos do Sunday Times.

Casou-se, em 1952, com Anne Rothermere e, nesse mesmo ano, tiveram seu único filho, Caspar. Nessa ocasião, já com residência fixada na Jamaica, escreveu a primeira aventura de James Bond, em um período de dois meses. Reza a lenda que Fleming teria batizado seu super agente com o nome de um ornitólogo, cujo livro (Birds of the West Indies), favorito de sua esposa, era mantido na cabeceira da mesma. Contudo, “Dr. No” não foi o primeiro romance do super espião. Bond nasceu nas páginas de “Cassino Royale”, que veio a ser publicado em 1953 e foi o único livro da série não adquirido pelos produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli. Este livro, que teve uma tiragem inicial de 4 mil exemplares, surpreendeu o editor Jonathan Cape quando, em um ano, alcançou a marca de 10 mil exemplares vendidos, levando –é claro- Fleming a escrever outros romances. Fleming, também, escreveu o livro infantil “Chitty Chitty Bang Bang”, dedicado ao seu filho, e que foi adaptado para o cinema em 1968 (O Calhambeque Mágico), com Dick Van Dyke, Sally Ann Howes e Gert Frobe (o intérprete do vilão Auric Goldfinger, da 7ª história de Bond). Lamentavelmente, o filho de Ian Fleming morreria, em 1974, de uma overdose de drogas. Não perca na semana que vem a segunda parte desse artigo sobre a adaptação de Dr.No paraa as telas.