LUZ, CÂMERA, DIREÇÃO: FEDERICO FELLINI – 103 ANOS

Por Adilson Carvalho

Há 3 décadas partiu um dos maiores diretores do cinema mundial, nascido exatamente em 20 de janeiro de 1920, e dono de uma sensibilidade e de uma poesia única para retratar a natureza humana e a sociedade italiana de sua época. Poucas pessoas sabem que Fellini era um grande fã de Stan Lee e dos heróis Marvel. Em 1966, um de seus projetos não desenvolvidos, o roteiro que se chamaria The Journey of G. Mastorna veio a ser adaptado para o formato de Graphic Novel em 1990 com os desenhos do mestre Milo Manara. Escolhido como um dos dez maiores diretores de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly, O diretor era um poeta não apenas em sua filmografia, mas também em sua forma de enxergar o mundo à sua volta, e assim dizia “Não há início, não há fim, há apenas a infinita paixão pela vida“. Casado com a atriz Giulietta Masina (1921-1994), atriz de vários de seus filmes, que costumavam também ter no elenco Marcello Maistroianni (1924-1996) como uma personificação do próprio diretor. Vamos rever aqui seis trabalhos icônicos do maestro (como era chamado) Federico Fellini.

#1. LA DOLCE VITA (1960)

Em Roma, no início dos anos de 1960, o jornalista interpretado por Marcello Mastroianne vive entre as celebridades, ricos e fotógrafos que lotam a badalada Via Veneto. Neste mundo marcado por um vazio existencial, frequenta festas, conhece os tipos mais extravagantes e descobre um novo sentido para a vida. A sequência sensual de Anita Ekberg se banhando na Fonte de Trevi entrou para a história do cinema, tendo sido gravado em uma única noite em março. Foi aqui que surgiu o termo Papparazi, derivado do nome de um amigo fotógrafo de Marcello, e que Fellini ouvira em algum lugar do sul da Itália,

#2. AMACORD (1973)

Em uma cidade italiana, o jovem Titta (Bruno Zanin) está sempre aprontando com seus amigos e observa várias personalidades excêntricas locais que se comportam de forma absurda. Em constante conflito com seu pai severo (Armando Brancia) e sempre defendido por sua adorada mãe (Pupella Maggio), Titta é testemunha das ações de personagens variados, entre eles, membros de sua família, fascistas e mulheres sensuais. O nome do filme deriva de um dialeto da região de Rimini, na Itália, que transcrito “A m’acord” e que significa “Eu me lembro“, o que suscitou alegações de que o filme fosse auto biográfico. fellini mais tarde negou, mas admitiu que costurou algumas das passagens do filme de suas memórias de infância.

#3. 8 1/2 (1963)

O diretor de cinema Guido Anselmi (Marcello Maistroianni) está prestes a rodar sua próxima obra, mas está sem ideias para o filme. Pressionado por todos, ele passa a trabalhar tanto que não consegue mais distinguir a realidade da fantasia. O título do filme é uma referência à carreira do próprio diretor, que até então já havia dirigido seis longa-metragens, dois episódios de filme e havia codirigido um longa-metragem. Um filme cheio de metáforas e que o diretor admitiu ter tido influência dos trabalhos de Carl Jung sobre inconsciente coletivo, anima e animus. Um filme instigante e com muitas sub leituras. Foi o terceiro dos 4 filmes do diretor a ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Fellini ganhou nas quatro vezes (A Estrada da Vida em 1954, Noites de Cabíria em 1957, 8 e Meio em 1963 e Amacord em 1973.) Também entrou para a história como o primeiro diretor italiano a conquistar o Oscar.

#4. GINGER & FRED (1986)

Amelia (Giulietta Masina) e Peppo (Marcello Maistroianni) são um par de bailarinos que interpreta Ginger Rogers e Fred Astaire na juventude. Eles se reencontram 30 anos depois e são convidados para representar o mesmo número. Apesar da homenagem aos famosos dançarinos americanos, Ginger Rogers (na época do lançamento do filme nos Estados Unidos) processou os produtores e distribuidores por inapropriação de sua pessoa pública e personalidade, mas a atriz perdeu.

#5. JULIETA DOS ESPÍRITOS (1965)

Julieta (Giulietta Masina) vê seu mundo desmoronar quando, através de seu psiquiatra, começa a suspeitar que seu marido mantém uma relação extra-conjugal. Tamanho é o impacto que Julieta passa a viver experiências de contatos com espíritos. O choque de percepção da personagem é magistralmente transferido ao espectador que já não percebe, no enredo, o que é real ou imaginário. Primeiro filme colorido do diretor.

##6. CASANOVA DE FELLINI (1976)

No século 18, o libertino bibliotecário Giacomo Casanova (Donald Sutherland) é um grande colecionador de boas histórias. Visitante frequente da nobreza, ele viajou para todas as capitais europeias, conheceu as mais diversas culturas e teve vários relacionamentos. Levou o Oscar de melhor figurino e melhor roteiro adaptado. No filme, o personagem de Mario Mencelli é chamado de Moebius, como homenagem ao famoso desenhista francês. Na época da escalação do elenco, Fellini recusou os nomes de Marlon Brando, Paul Newman e Robert Redford, preferindo Donald Sutherland, que segundo o diretor, tinha os olhos de um masturbador.

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