CENTENÁRIO DA PORTELA, CARNAVAL & CINEMA

Por Adilson Carvalho

Portela, Clara Nunes cantou que não existe coisa mais bela, e esse ano adentra a passarela celebrando 100 anos de sua beleza que faz brilhar o bairro de Madureira, onde a tradicional escola de samba construiu seu legado. Parte essencial do cenário cultural carioca, a Portela flerta com o cinema como a escolha da águia como símbolo presente num abre-alas da azul e branco, pela primeira vez em 1968, no enredo “O tronco de ipê”, dez anos antes do fechamento do estúdio de cinema Republic Pictures, que usava a águia foi o logo de 1935 a 1958. Os filmes ainda eram mudos quando da criação do bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, que já continha o embrião da primeira diretoria portelense com Paulo Portela, Alcides Dias Lopes, Heitor dos Prazeres, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manuel Bam Bam Bam, Natalino José do Nascimento, Candinho e Cláudio Manuel. O cinema evoluiu e o nome da Portela nasceu em meados da década de 30.

Em 2014, o diretor Nelson Hoineff lançou o documentário 82 Minutos, detalhando os bastidores da Portela, que vão desde a escolha do samba-enredo até a apuração dos votos nos dias de Carnaval. Aos poucos, são lançados diferentes olhares sob este fenômeno cultural que atrai pessoas do mundo inteiro. À medida que todas as etapas para o glorioso dia no sambódromo, Hoineff mostra a integração de passistas, baterias, baianas no esforço em conjunto que faz o bairro Madureira pulsar com vida, além de mostrar a criação dos carros alegóricos, verdadeiros efeitos especiais cinematográficos que ajudam a dar o tom épico dos samba-enredos. Não à toa a Portela era a escola de samba do coração da cantora Clara Nunes (1942-1983), que em abril deste ano completará 40 anos de seu falecimento. Clara exaltou a Portela em versos na canção Portela na avenida de 1981, e em sua trajetória artística. No carnaval de 2003, a Portela realizou um desfile sobre a Cinelândia, bairro do Rio de Janeiro, palco de movimentos políticos, estudantis, culturais e boêmios, e que recebeu esse nome a partir dos anos 1920 por ter as melhores salas de cinema da cidade, como Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, o Império, o Pathé, o Capitólio, o Rex, o Rivoli, o Vitória, o Palácio, o Metro Passeio, o Plaza e o Colonial. O destaque da apresentação foi a interação da águia da escola, no carro abre-alas, com a Comissão de Frente, formada por casais representando os personagens Rhett Butler e Scarlett O’Hara, do filme … E o Vento Levou. Uma componente, interpretando a personagem Mammy, do mesmo filme, exibia uma estatueta do Óscar para a águia do abre-alas, que se movimentava de forma impressionante.

Clara Nunes no desfile da Portela

A história da Portela é como um épico hollywoodiano, carrega 22 vitórias e décadas da cultura carioca, e como disse Clara Nunes ” Salve o samba, salve a santa, salve ela. Salve o manto azul e branco da Portela. Desfilando triunfal sobre o altar do carnaval”

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