CREED – A HISTORIA ATÉ AQUI.

Por Adilson Carvalho

Em 2015 parecia que a franquia Rocky havia se encerrado em 2006 com Rocky Balboa. O roteirista e diretor Ryan Coogler teve em mãos o roteiro (escrito em parceria com Aaron Covington) que dava prosseguimento à história através do filho de Apollo Creed, o personagem vivido por Carl Weathers (de 1976 a 1986). Stallone foi convidado a participar do filme como a figura do mentor de Adonis, tal qual Mickey (Burguess Meredith 1907/1997) havia sido para Rocky. A princípio Stallone recusara o convite devido à morte de seu filho Sage Stallone 1976/2012), mas Coogler conseguiu convencê-lo no final de que sua volta ao papel serviria como um tributo à memória de Sage. O que se desenrolou foi que a temática da relação pai e filho acabou ajudando Stallone a se conectar com seu sentimento de luto. Na história de Creed – Nascido Para Lutar somos apresentados a Adonis Johnson, filho do campeão de boxe Apollo Creed, papel que coube a Michael B. Jordan. Quando este veste o calção listado original usado pelos personagens de Apollo e Rocky, insistência do próprio Stallone, a tradição foi renovada para uma nova geração. Adonis pede a Rocky Balboa, que está aposentado, para ser seu treinador. Rocky aceita, mas tem dúvidas se Adonis tem o coração de um verdadeiro lutador. Foi o primeiro filme da série não escrito por Stallone, que na época estava com 69 anos, curiosamente a mesma idade que Burguess Meredith tinha quando fez Mickey em Rocky – Um Lutador (1976). O resultado da crítica foi que Stallone veio a ser indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, tornando-se o terceiro ator a ser indicado a melhor ator e melhor ator coadjuvante pelo mesmo personagem (Os outros são Barry Fitzgerald e Al Pacino). Tessa Thompson, que interpreta Bianca, o interesse romântico de Adonis, é música na vida real, com seu personagem, e compôs três canções para a trilhas sonora do filme. Orçado em US$ 35 milhões, o filme rendeu mais de US$ 173 milhões nas bilheterias garantindo a sequência Creed II, realizada em 2018.

Para o segundo filme, dirigido por Steven Caple Jr., e escrito por Sylvester Stallone e Juel Taylor, retomamos a vida de Adonis Creed (Michael B. Jordan) dividido entre as obrigações da vida pessoal, casado e pai da pequena Amara, e o treino para sua próxima grande luta, ele encara o maior desafio de sua vida. O adversário que vem confrontá – lo é Viktor Drago (O lutador na vida real Florian Montenaeu) que também é o filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren). Em Rocky IV (1986) foi ele quem matou Apollo e Rocky Balboa (Sylvester Stallone) não está disposto a reabrir as feridas do passado ou até mesmo a treinar Adonis em uma luta de vingança. Rocky e Adonis vão confrontar o legado que os dois compartilham, questionar pelo que vale a pena lutar e descobrir que nada é mais importante do que a família. O filme foi muito bem sucedido não apenas como continuação de Creed -Nascido Para Lutar, mas também como uma continuação de Rocky IV. Stallone foi convidado a dirigir o filme, mas preferiu declinar do convite ficando novamente com uma participação mais secundária na trama.

O terceiro filme que chega aos cinemas nesta quinta (2 de março) será o primeiro filme da franquia que não terá qualquer envolvimento de Sylvester Stallone. O icônico ator discordou do rumo do roteiro e brigou publicamente com o produtor e ex-sócio Irwin Winkler, que adquiriu os direitos de Rocky, dizendo que ele foi ludibriado por ser ingênuo na época, e que, até hoje, não recebe pagamentos devidos pela criação do personagem e de seu roteiro. Creed 3, dirigido pelo próprio Michael B. Jordan representa assim um afastamento de Stallone, e um movimento para desvincular a figura de Stallone da franquia.

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