Por Adilson Carvalho

Suspenses criminais rendem bons filmes quando o roteirista consegue produzir uma história envolvente e sustentada por um elenco de peso. No caso de Luther – O Cair da Noite (Luther – The Fallen Sun), o roteirista Neil Cross transpôs a série de TV que o próprio criou para a britânica BBC One, igualmente estrelada pelo excelente Idris Elba. Embora a série não esteja disponível no Brasil, não se preocupe pois é tranquilo acompanhar a trama do detetive John Luther (Elba) que é preso quando seus desvios de conduta o levam à prisão enquanto um assassino psicótico aterroriza a cidade. Antes de ser preso, Luther prometeu à mãe de uma de suas vítimas e ao conseguir fugir da prisão demonstra-se um caçador tão implacável quanto Clint Eastwood no primeiro Dirty Harry. E mais, justamente por ter erros cometidos em seu passado, Luther se aproxima muito do público equilibrando seus arrependimentos com uma tenacidade e busca por justiça tão obsessiva quanto os atos psicóticos do assassino David Robey (Andy Serkis, impressionante) que usa seus crimes para alimentar seus site Red Bunker que mostra atrocidades e mortes. Nesse momento o roteiro toca em uma questão bem atual, os conteúdos criminosos que se espalham pela internet angariando visualizações e adeptos de distorções de todos os tipos. Embora Neil Cross tenha dito se espelhar em personagens como Columbo e Sherlock Holmes, Luther trilha um caminho próprio, não tão cerebral quanto seus pares famosos mas visceral e brutal quando a necessidade exige, sem que tenha que abrir mão da investigação e da observação minuciosa. Nesse sentido, o filme é capaz de entregar ação tal qual uma montanha russa, mas sem escapar dos clichês habituais do gênero. O final deixa questões em aberto que deixam claro a intenção de formar uma franquia, o que por julgar do resultado aqui é mais do que bem vinda. (Disponivel na Netflix)
