Por Adilson Carvalho

Um dos filmes mais amados dos anos 80 tornou-se um sucesso após uma série de insucessos até achar seu protagonista. Falando de viagem no tempo e conflitos de família, mas claro com muito, muito bom humor, De Volta Para o Futuro (Back To The Future) levou o nome de Michael J.Fox da TV para o cinema, e criou uma legião de fãs. A história de Marty McFly (Fox) começou a ser escrita ainda no início dos anos 80 quando os amigos Robert Zemeckis e Bob Gale rascunharam juntos a história depois que Gale, remexendo antigas fotos, encontrou o anuário de escola de seu pai, e imaginou como seria viajar aos anos 50 e conhecer seus pais, antes de seu nascimento. A dupla Zemeckis e Gale já havia escrito o roteiro de filmes como 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1979), dirigido por Steven Spielberg, e anos depois Carros Usados (1982) que o próprio Zemeckis dirigiu. Ambos os filmes foram fracassos de bilheteria, mas os dois amigos acreditavam que o roteiro de De Volta Para o Futuro (Back To The Future) poderia ser um sucesso e conquistaram o apoio de Spielberg, que assumiu como produtor executivo. Foi na Amblin Entertainment de Spielberg, filmado no pátio da Universal, que Hill Valley tornou-se real.

Na história, o adolescente Marty McFly (Fox) é transportado para 1955 quando uma experiência do excêntrico cientista Doc Brown (Christopher Lloyd) dá errado. Ele viaja pelo tempo em um carro modificado e acaba conhecendo seus pais ainda jovens. O problema é que Marty pode deixar de existir porque ele interferiu na rotina dos pais (Crispin Glover e Lea Thompson), que correm o risco de não se apaixonar mais. Para complicar ainda mais a situação, Marty precisa voltar para casa a tempo de salvar o cientista. A principio a máquina do tempo seria uma geladeira, mas logo foi trocada pelo Delorean, conquistador a aprovação e a gratidão do criador do carro, que escreveu para a produção agradecendo por ver seu veículo imortalizado nas telas. Outra mudança que quase aconteceu foi o título do filme que seria Space man from Pluto, por insistência de Sid Sheinberg, homem forte da Universal, que detestou De Volta Para o Futuro. Zemeckis e Gale conseguiram o apoio de Spielberg para convencer Sheinberg. Já o papel de Marty McFly ficou com Eric Soltz, de Marcas do Destino (1984), mas sua atuação não imprimiu na tela o humor desejado por Zemeckis e Gale. Logo, estes conseguiram um acordo com Gary David Goldberg, show runner da sitcom Caras & Caretas. Michael J. Fox filmava os episódios da sitcom durante o dia, e à noite filmava De Volta Para o Futuro, dormindo apenas nos intervalos de cena. O esforço foi recompensado com uma bilheteria milionária de US$ 212.836.762 para um orçamento estimado em US$19 milhões, a conquista do Oscar de melhor edição de efeitos sonoros além de um lugar cativo na memória afetiva do público que amou as duas sequências lançadas em 1989 e 1990. Nada mau para um roteiro recusado 44 vezes, e um filme reconhecido em todas as partes do mundo como contou Michael J. Fox ao viajar para um país asiático e se deparar com um grupo de monges budistas que o saudaram dizendo “Marty McFly“. Basta agora fechar os olhos e ouvir a excelente trilha sonora de Huey Lewis & The News cantando The Power of Love. Cuidado com o caminhão de estrume.
No próximo artigo Michael J. Fox vira um lobisomem juvenil.