Por Adilson Carvalho

A indústria cinematográfica de Hollywood enfrenta a maior greve dos últimos 60 anos, depois que os atores iniciaram uma paralisação convocada na quinta-feira (13). O sindicato dos atores de Hollywood (SAG-AFTRA, na sigla em inglês) se uniu aos roteiristas (WGA), que já estão parados há mais de dois meses. Entre os pontos defendidos pela atriz Fran Drescher, presidente do Sindicato dos Atores, estão aumentos salariais; uma divisão mais justa dos lucros – especialmente de valores advindos do streaming; melhores condições de trabalho e regras para o uso de conteúdo gerado por inteligência artificial (IA). Entre as produções afetadas estão filmes como Deadpool 3, Gladiador 2 e séries como Stranger Things, Cobra Kai e The Last of Us. É a primeira vez desde 1960 que ambos os Sindicatos se unem em uma paralização. Em 1960, quando Ronald Reagan presidia o Sindicato dos atores, a luta era pelo repasse dos direitos conexos às exibições de filmes na TV, e terminou depois de um mês com a criação de um fundo de pensão e plano de saúde, além de garantir pagamento residual de todos os filmes feitos a partir de 1960 em diante. Diversos atores como Susan Sarandon, Jaime Lee Curtis e até mesmo Bruna Marquezine se pronunciaram a favor do movimento. Com todas as atenções voltadas para os lançamentos de Barbie e Oppenheimer, seus eventos promocionais foram diretamente afetados, e não contarão com a presença dos astros. A greve mais longa dos roteiristas, em 1988, durou 153 dias. Já a última vez que o sindicato dos atores fez uma grande paralisação foi em 1980, durou mais de três meses, e tinha como foco a cobrança de royalties na distribuição de filmes em fitas de vídeo e TV a cabo. É imprevisível a duração da greve e espera-se que haja um acordo com a Alliance of Motion Picture and Television Producers, a associação patronal que representa os estúdios de Hollywood e plataformas de streaming em negociações coletivas com sindicatos da indústria do entretenimento.