POLTRONA 6: A SUPERFANTÁSTICA HISTÓRIA DO BALÃO

Por Adilson Carvalho

Eu tinha 14 anos quando o programa Balão Mágico estreou na Rede Globo, e assim cantei, pulei e me diverti com Simony, Mike, Tob e Jairzinho. Foram três anos de manhãs extremamente divertidas e bem assessorados por Castrinho e Fofão. Marcaram uma geração ao som de Galinha Magricela, Superfántástico, Mãe me da um dinheirinho, Se enamora, Ursinho Pimpão, É tão lindo e muito mais. O documentário A Superfantástica História do Balão, dirigida por Tatiana Issa, consegue tocar no fundo de nossa memória afetiva e reviver aqueles tempos inocentes; e é justamente sobre a inocência que o documentário atrai a atenção: A inocência ultrajada de quatro crianças talentosas que foram transformadas em celebridades nacionais ao custo de sua liberdade. À reunião do quarteto juntam-se depoimentos de Lazaro Ramos, Castrinho, a mãe de Simony, Baby do Brasil, Fábio Junior e outros entre artistas e produtores que atuavam nos bastidores. Os episódios despertam curiosidades, mas também falam de bullying, de decepção, de abuso infantil e de interesses financeiros. Tob e Mike falam abertamente que os ganhos financeiros do grupo eram desiguais, Simony nada fala, mas sua mãe nega, Tob fala da decepção com o ataque de fúria de Orival Pessini, o Fofão, cada um dos integrantes revela suas dores, suas frustrações e dos caminhos diversos que cada um seguiu após o fim do grupo. Mas há espaço para reviver o encantamento de uma época em que a criatividade se fazia sentir nas letras, na música, no ato de colocar crianças e adultos em um balão que subiu, subiu e ao aterrisar levou embora as lembranças de uma época em que diziamos “sou feliz, por isso estou aqui”, mas não estamos mais.

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