TUBARÕES NO CINEMA PARTE II

Por Adilson Carvalho

Tubarão de Spielberg criou o conceito de blockbuster, lançando o filme simultanemente em vários cinemas, em várias cidades, em pleno verão americano, o que não era feito até então. O sucesso foi estrondoso. Outra pérola que nadou por essas águas foi o italiano Enzo Castellari em “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) de 1981. Este não se preocupou em disfarçar o plágio em cima do filme de Spielberg. O ator James Francisco interpreta um personagem chamado de Peter Benton (semelhança com Benchley não é mera coincidência), o mesmo papel de Roy Scheider, da mesma maneira que Vic Morrow faz o experiente pescador tal qual Quint (Robert Shaw) no filme de 1975. Todos os momentos icônicos do filme original são absurdamente imitados, até a maneira como o peixe é morto. Com isso tudo, o filme de Castellari foi proibido de ser exibido nos Estados Unidos, embora possa ser facilmente encontrado no You Tube ou à venda pela Amazon. Diferente do filme de Spielberg, o filme de Castellari é, no mínimo, risível usando um tubarão mecânico ainda mais tosco que Bruce.

Na segunda metade da década de 70 ainda tivemos variações no tema “monstros aquáticos” enfurecidos. A mais notável é a paródia assumida de Joe Dante Piranha (1978) que ganhou duas refilmagens: uma em 1995 e outra em 2010. Ainda tivermos a baleia azul de Orca – A Baleia Assassina (Orca The Killing Whale) de 1977 e o polvo gigante da produção italiana Tentáculos (Tentacoli) no mesmo ano. Quando já se pensava que o mar seria seguro, os produtores arranjavam um jeito de atrair o público, mas o efeito final está mais para o ridículo. Em tempos mais recentes tivemos tubarões inteligentes como em Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea), de 1999, e que gerou duas continuações horríveis. Depois ainda tivemos habitantes das areias como em Sand Shark de 2012 fora as inusitadas versões de TV que constantemente aparecem na telinha como Tubarão Fantasma (Ghost Shark) de 2013 ou a franquia Sharkanado, que entre 2013 e 2018 totalizou 6 telefilmes, um pior do que o outro , todas exibidas pelo sci-fi channel.

Quando a pergunta é se ainda há espaço para alguma produção respeitosa sobre esses animais, merece menção o caso de Águas Rasas (The Shallows) de 2016, que tornou-se uma grande sucesso de bilheteria. O filme de Jaume-Collet Serra serviu como “Tubarão” de uma nova geração, trocando o modelo mecânico pela computação gráfica. Eficiente suspense com sua abordagem psicológica, o filme mostrou um fato no mínimo questionável quando a personagem de Blake Lively nada no meio de águas-vivas sugerindo que o tubarão branco teria medo destas mesmo tendo uma pele extremamente grossa. Ainda tivemos em 2017 Medo Profundo (47 Meters Down) onde duas irmãs ficam presas em uma gaiola no fundo do mar em águas infestadas de tubarões. Dois anos depois veio a sequência sofrível Medo Profundo – O Segundo Ataque. Chegamos então a MegaTubarão (The Meg) com Jason Statham, em 2018. Filme curioso com muita ação e que injetou algum frescor, embora ainda muito abaixo do filme de Spielberg.

Feras desalmadas, devoradores, ou animais vulneráveis, mal-compreendidos, vítimas da má-propaganda de Hollywood, não importa pois as pessoas parecem não perder o interesse por eles sendo notável o acesso às mídias digitais que perpetuam filmagens e relatos de ataques. Certamente virão mais filmes já que o filão constantemente se renova com o público. Admito ainda assim, eu nunca consigo ir à praia e entrar na água sem que em minha mente eu ouça aqueles os tensos acordes daquelas notas. Tudo culpa de John Williams, Peter Benchley e Steven Spielberg. Boa diversão e bom apetite !

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