Por Adilson Carvalho

Algumas séries e filmes são impossíveis de serem refilmadas e conseguirem chegar próximo do filme original. A Feitiçeira é um desses clássicos inigualáveis, que eternizamos em nossa memória afetiva. Por isso, o roteiro de Nora Ephron, Delia Ephron e Adam McKay é criativo o suficiente por empregar a metalinguagem como artifício para revisitar a série estrelada por Elizabeth Montgomery entre 1964 e 1972, e criar uma agradável comédia que homenageia o original e permite que Nicole Kidman brilhe em seu papel. Isabel Bigelow (Kidman) é uma feiticeira que decide viver no vale californiano de San Fernando e deseja mudar de vida, assim renegando seus poderes de “prazeres instantâneos”. Enquanto isso Jack Wyatt (Will Farrell), um ator que deseja resgatar sua carreira, se dedica integralmente à nova versão da clássica série de televisão A Feitiçeira, exibida nos anos 1960, na qual interpretará o personagem James. Antes das filmagens Jim Carrey chegou a ser contatado para assumir o papel que ficou com Will Farrell. O filme também quase teve Meryl Streap como Samantha e Robin Williams como Tio Arthur com Penny Marshall (Quero Ser Grande, Uma Equipe Muito Especial) dirigindo, mas a morte de Marshall fez com que toda a escalação fosse modificada. Esta foi na verdade a segunda vez que Nicole Kidman interpretou uma bruxa, depois de Da Magia à Sedução (1998). Já o papel de Nigel Bigelow, o pai de Isabel, foi pensado desde os primeiros estágios do roteiro em Sir Michael Caine, que reencontra Shirley MacLaine em cena depois de 40 anos quando estrelaram juntos Como Possuir Lissu (1966). O filme recebeu críticas negativas da crítica, e por muitos dos fãs da série original, que não aprovaram a adaptação, e a falta dos personagens centrais e originais. A bilheteria nos EUA foi de $63,313,159, chegando a $68,100,000 internacionalmente para um orçamento de $85 milhões. Nicole Kidman e Will Ferrell levaram os dois um Framboesa de Ouro de Pior Dupla do cinema. Apesar de estar muito abaixo da série original, o filme de Nora Ephron consegue se firmar como uma simpática reimaginação de tempos mais simples em que mortais se casavam com belas feitiçeiras que ao torcer o nariz fizeram uma geração amar e rir. Saudades eternas de Elizabeth Montgomery, Dick York, Dick sargent, Agnes Moorehead, David White, Alice Pearce, Sandra Gould, Paul Lynde, Bernard Fox, George Tobias, Erin Murphy e todo um super elenco dirigido por William Asher.