CLASSICO REVISTADO | O SEXTO SENTIDO – 25 ANOS

Por Adilson Carvalho

M. Night Shyamalan era praticamente desconhecido quando lançou O Sexto Sentido (The Sixth Sense) em 1998, e até hoje o filme resiste como um primor de roteiro mesclando o psicológico e o sobrenatural além de apresentar um dos plot twist mais criativos do cinema. O jovem Cole Sear (Haley Joel Osment) é assombrado por um segredo obscuro: ele é visitado por fantasmas. Cole fica assustado com as visitas daqueles com problemas não resolvidos que aparecem das sombras. Ele tem muito medo de contar a qualquer um sobre sua angústia, exceto ao psicólogo infantil Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis). Enquanto o Dr. Crowe tenta descobrir a verdade sobre as habilidades sobrenaturais de Cole, as consequências para o cliente e o terapeuta são um choque que os desperta para algo inexplicável.

O jovem ator Haley Joel Osment, então com 10 anos, ficou com o papel de Cole Sear, sendo o único rapaz nas audições que usava gravata. Quando o diretor M. Night Shyamalan perguntou a Osment se ele havia lido seu papel, Osment respondeu: “Eu o li três vezes na noite passada“. Shyamalan ficou impressionado e disse: “Uau, você leu seu papel três vezes?” Ao que Osment respondeu: “Não, eu li o roteiro três vezes“. Osment foi um dos grandes destaques do filme e chegou a ser indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Toni Collette, que faz sua mãe, também foi indicada, como melhor atriz coadjuvante e disse que ficou tão comovida com a ressonância emocional da história durante as filmagens que nem percebeu que se tratava de um filme de terror até o lançamento. Sua cena no carro com Osment ao final do filme é de fato impactante. M. Night Shyamalan escreveu o papel de Malcolm Crowe pensando em Bruce Willis, que teve aqui um desempenho mais contido que o habitual, uma de suas melhores performances em filmes.

M. Night Shyamalan se tornou na época a sexta (e, desde 2023, a última) pessoa a ser indicada ao Oscar de Melhor Diretor antes dos 30 anos (ele tinha 29), depois de Orson Welles (26) – Cidadão Kane (1941), Claude Lelouch (29) – Um Homem, uma Mulher (1966), George Lucas (29) – Loucuras de Verão (1973), Sir Kenneth Branagh (29) – Henrique V (1989) e John Singleton (24) – Os Donos da Rua (1991). O diretor indiano começou a chamar a atenção por seus roteiros instigantes, marcados por finais inesperados, e gradativamente construindo um suspense envolvente, chegando a ser chamado por alguns críticos como o Hitchcock de sua geração, incluindo fazendo aparições em seus filmes como aqui em que interpreta Dr. Hill, o médico que examina Cole Sear após o “acidente” na festa de aniversário. Embora Shyamalan tenha ficado prisioneiro de sua fórmula, o diretor permanece um chamariz de público com seus novos projetos, como o recente Armadilha (2024). O filme de 1998 ainda é , no entanto, um pilar de seu gênero mesmo passado 25 anos de seu lançamento.

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