CORINGA DE TODD PHILIPS | LEMBRANDO O TRIUNFO DO PALHAÇO

Por Adilson Carvalho

Demorou para que a sequência de Coringa chegasse à luz do dia, depois de uma bilheteria de  US$ 1,074 e honrarias como o Leão de Ouro no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza e os prêmios de melhor trilha sonora e ator (Joaquin Phoenix) na 92ª cerimônia do Oscar. Todd Philips (Se Beber Não Case) recebeu a incumbência de fazer “o filme do vilão”, e o filme do Coringa foi sem dúvida superior a outros do gênero como Morbius (2022) da Marvel/Sony. A atuação elogiosa Joaquin Phoenix (o Commodus de Gladiador) foi essencial para o sucesso do filme, que pega um personagem complexo por sua própria natureza, e o transforma em um estudo de caso, que ultrapassa os limites da tela. O ator, três vezes indicado ao Oscar e, vencedor do Globo de Ouro por Johnny & June em 2005, herda um papel já vestido por nomes como Cesar Romero, Jack Nicholson, Heath Ledger e Jared Leto. Sua versão, no entanto, é uma abordagem mais realista do personagem, de acordo com o roteiro de Scott Silver e do próprio Todd Philips. Ambos investem em uma história de origem livre das amarras de continuidade das hqs, e independente dos filmes de super heróis DC. O Coringa de Phoenix ganha a identidade de Arthur Fleck, um desajustado nos moldes de Travis Bickle, personagem de Robert DeNiro no clássico Taxi Driver (1976), de Martin Scorcese.

O próprio De Niro está no elenco de Coringa no papel de Murray Franklin o apresentador de Tv que tem participação ativa no processo de levar Fleck a uma vida de crimes. O papel de Franklin é uma exata inversão do personagem vivido por DeNiro em O Rei da Comédia (1982), outro clássico de Scorcese. O filme do palhaço despertou uma preocupação sobre o grau de violência e uma possível glamorização desta, mas o fato é que ela está lá como causa e consequência das ações de seu protagonista, um palhaço de rua com ambição de ser um stand-up de sucesso, enlouquecendo com o caos em sua volta. Mesmo seu interesse por Sophie Dumond (Zazie Beetz, de Deadpool 2) serve ao roteiro como mais um elemento da insanidade fatídica para Fleck, e reforça a intenção de produzir uma história original, sem uma conexão direta com a galeria de personagens que habita as histórias em quadrinhos. Ainda assim circulam nomes conhecidos pelos leitores das hqs como Alfred Pennyworth (Douglas Hodge), Thomas Wayne (Brett Cullen) e, até mesmo um jovem Bruce Wayne (Dante Pereira-Olson). O filme já marcou para a posteridade a incrível sequência da dança na escadaria. O filme triunfou e deixou um forte impacto por demonstrar as infinitas possibilidades dos quadrinhos como fonte de material. Se não acredita, por que está tão sério? Sorria !!

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