Por Adilson Carvalho

O personagem do palhaço psicótico surgiu nas páginas de Batman #1, em abril de 1940, criado pela colaboração dos talentos de Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson. Sua gênese veio inspirada pela atuação de Conrad Veidt no filme O Homem que ri (1928), embebido da estética do expressionismo alemão, e adaptado da literatura de Victor Hugo. O Coringa sempre foi um caos personificado, e como tal contraria qualquer lógica em favor se suas distorções. Suas histórias iniciais o retratam como um insano total como em Os Milhões do Coringa (1952), publicado em Detective Comics # 137 onde o vilão recebe uma herança milionária de um chefão do submundo, mas o palhaço não vai agir como se espera. Um dos episódios da segunda fase do desenho Batman: The Animated Series (1992-1999) foi baseado nessa história.

Depois do efeito do moralismo exacerbado provocado pela publicação de A Sedução dos Inocentes, do Dr. Fredric Wertham, (1954), os quadrinhos tiveram que se adaptar e o vilão chegou a ser reduzido a um mero bufão no período em que o “Comics Code” atingiu seu auge de censura. Coube a Denny O’Neill e Neal Adams resgatarem os aspectos soturnos dos habitantes de Gotham City. Na história A Vingança do Coringa (1973), publicada em Batman #251, o psicótico vilão mata um por um os ex membros de sua quadrilha, e ainda prende o homem morcego em um tanque com um tubarão branco. Mais insano do que nunca, o vilão alcançou um grau de popularidade tal que chegou a ter uma revista solo publicada a partir de maio de 1975, um ano depois chegando ao nosso país pela EBAL, a editora pioneira que representou a DC comics durante décadas.

Popularizado pelas animações de TV e pela série clássica dos anos 60, o Coringa se firmou como o maior antagonista do Batman, e teve uma participação impactante na fase de Steve Englehart e Marshall Rogers na história dupla O Tétrico Sorriso da Morte e A Marca do Coringa, publicado em Detective Comics # 475 e #476. Na história o Coringa reivindica direitos sobre todos os peixes de Gotham e mata várias figuras jurídicas enquanto atrai o Batman para uma armadilha. A história também foi adaptada para a animação Batman – the Animated Series (1992). Foi o inglês Alan Moore, no entanto, quem escreveu uma das histórias mais icônicas do personagem em A Piada Mortal (1988) com desenhos de Brian Bolland. Esta tornou-se referência até hoje apresentando a origem do personagem em paralelo a uma narrativa no presente na qual o vilão sequestra a Batgirl, atira nela e abusa dela para enlouquecer o Comissário Gordon. O vilão assume de vez sua aura caótica irrefreável e segue em frente espalhando morte e destruição. Entre seus feitos estão o assassinato de Jason Todd, o segundo Robin no arco Morte em Família (1988), é condenado à cadeira elétrica por um crime que não cometeu no especial O Advogado do Diabo (1996). Além dessas o personagem teve umna história bem curiosa em Os Três Coringas (2021) de Geoff Johns e Jason Fabok, revisitando várias passagens do vilão como o assassinato dos pais de Bruce, o atentado sofrido por Barbara Gordon e o espancamento de Jason Todd, sugerindo que o modus operandi do vilão apresenta divergências indicando que sua identidade pode não ser o que pensávamos. Longe de ser uma reunião definitiva das histórias do vilão, essas são sem dúvida algumas das mais impactantes passagens do Coringa nas hqs, e referência de que se o crime não compensa nas hqs, ao menos nos faz sorrir ! Afinal, por que ficar tão sério ?