MÊS DO SUPERMAN | A SAGA DA CRIATURA DE AREIA

Por Adilson Carvalho

No início dos anos 70, a DC Comics enfrentava um problema narrativo com o homem de aço. Este havia desenvolvido tantas histórias extraordinárias ao longo das décadas anteriores que dificultava para os roteiristas criar adversários e situações que fossem significativos para o herói. Assim, o roteirista Denny O’Neill (1939/2020) e o desenhista Curt Swan (1920/1996) se dedicaram a criar algumas mudanças em vigor a partir de Superman #233 (janeiro de 1971) relançando o título em uma nova fase. O’Neill e Swan colocam o último filho de Krypton em um experimento que transforma toda a kryptonita da Terra em ferro, eliminando assim sua única fraqueza. No entanto, com uma terrível explosão, abre-se um portal para a dimensão de Quarrm, sem que alguém sequer percebesse. Dela, uma consciência sem corpo físico se aloja na areia local criando uma cópia do corpo do Superman. A cada vez que esta passa perto do Superman, o herói sofre drástica redução de seus poderes. No entanto, o experimento dá errado e a máquina de aproveitamento de energia explode, deixando-o exposto à mortal pedra verde. Mas, estranhamente, o acidente não o afeta e ainda por cima transforma toda a kryptonita existente na Terra em inofensivo ferro comum. Finalmente, nosso herói se liberta de sua principal fraqueza.

Apesar disso, o herói gradativamente perde suas incríveis habilidades à medida que a criatura de areia vai aperfeiçoando sua aparência física, mimetizando o rosto e o corpo do herói, mas também desenvolvendo sua consciência do que significa ser humano. Com a ajuda do mestre chinês I Ching (personagem saído das histórias da Mulher Maravilha), o herói e a criatura conseguem não apenas se comunicar como também descobrem que, devido à uma diferença de composição molecular entre o corpo kryptoniano de Kal El e a energia do ser de Quarrm, um confronto entre os dois resultaria em uma explosão de magnitude impensável que poderia custar milhões de vida no planeta. Com isso, a criatura retorna ao seu universo de origem, porém deixando o Superman menos poderoso, com 1/3 de seus poderes anulados. Depois de 9 meses o arco se encerra em Superman #242 (setembro de 1971) cumprindo o desejo dos editores de deixar o personagem mais próximo de seus leitores, principalmente com a contínua e crescente concorrência da Marvel que apresentava heróis falhos, cheios de defeitos e mais humanizados. O arco foi publicado no Brasil pela Ebal, Abril e mais tarde encadernado pela Panini na série Lendas do Homem de Aço: Curt Swan (2008). Uma fase desconhecida dos leitores mais novos, mas importante dentro do que foi a cronologia do herói pré-Crise.

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