Por Adilson Carvalho

Durante uma década e meia, Hugh Grant foi o rei da comédia romântica, o recipiente perfeito para todas as mulheres (e homens) depositarem os seus sonhos, tornado ainda mais cativante pela sua aparente incapacidade de lidar com esse afeto. Hoje em dia, está mais à vontade a interpretar papéis de vilão em filmes como Paddington 2 e o terror Herege, mas para muitos, incluindo o cineasta Quentin Tarantino, será sempre o arquétipo romântico que brincava com os nossos corações. Numa entrevista recente ao Letterboxd, Grant recordou uma conversa que teve com Tarantino, em que o escritor/diretor partilhou a sua adulação pela comédia romântica musical de 2007, Letra & Música. “Ele adora mesmo esse filme. Tive esta experiência estranha que alguns têm em Londres: uma pessoa suada empurrou o seu caminho através da multidão até mim, e era Quentin Tarantino”, disse Grant. “E para minha enorme surpresa, ele disse: ‘Oh, pá, adoro o Letra & Música‘. Disse que o viu num avião e ficou tão desiludido por o avião ter aterrado antes de o filme acabar, que teve de ir rapidamente encomendá-lo à Blockbuster ou assim.” Passado na cidade de Nova Iorque, Letra & Música segue Grant como uma estrela pop dos anos 80 que tem uma oportunidade de se reinventar depois de colaborar com uma talentosa escritora e letrista, interpretada por Drew Barrymore. Embora não seja exatamente um musical completo de canções e danças, o filme apresenta muitas canções e até se vê Grant a fazer alguns movimentos. “A dança de Letra & Música era um inferno, porque era de forma livre, exprime-te, desfruta da música, sente-a como uma verdadeira estrela de rock”, disse Grant. “Eu não sou essa pessoa, e tive muita dificuldade em lidar com isso. Tive de pedir à minha encantadora maquilhadora em Nova Iorque que me trouxesse pequenos goles de uísque numa garrafa de 7UP, e uma certa quantidade de lorazepam para me sentir realmente com disposição para isso.” No entanto, Grant admite que, agora que cresceu um pouco, fazer um espetáculo pode ser bastante, especialmente no contexto de filmes para crianças como Paddington 2 ou Wonka. Ele compara este trabalho a formas mais clássicas de cinema e orgulha-se de estar nessa linhagem, mesmo que a oportunidade de o fazer seja cada vez mais rara. O ator de 64 anos completou “Quanto mais velho fico, mais adoro canções e danças nos filmes”, disse Grant ao Letterboxd. “E quanto mais vejo os filmes de Fred Astaire e coisas do género, penso: ‘Para que serve qualquer outro tipo de filme? São tão requintados. É muito triste que já não estejam na moda, os grandes musicais de Hollywood. Tragam-nos de volta; adoraria entrar num”. Herege, o novo filme de Hugh Grant chega aos cinemas nesta quinta 14/11.