CICLO EASTWOOD : MAKE MY DAY | BIRD

Por Adilson Carvalho

A imagem de durão alimentada pela persona do pistoleiro calado dos westerns de Sérgio Leone ou do implacável tira Harry o Sujo fez de Clint Eastwood um ícone do cinema. Mas o durão tem alma sensível e surpreendeu a todos em 1988 ao dirigir a excelente cine biografia de Charlie “Bird” Parker, um dos grandes nomes da história do jazz. Desde os anos 70 o projeto de filmar a vida de Parker transitava pelo estúdio da Universal com rumores de que este seria vivido por Richard Pryor. Sendo Eastwood um grande apreciador de jazz, conseguiu levar o projeto para a Warner, e entrou em contato com a viúva de Parker conseguindo não apenas acesso as memórias do músico mas também adquirindo gravações raras dele. Contudo, apesar do saxofone tocado em performances originais de Charlie Parker, o corpo e o dedilhado são de Charles McPherson, que teve de aprender a respirar exatamente como Parker fazia nas gravações. Um engenheiro de som isolou digitalmente e eletronicamente as faixas solo das gravações antigas que Clint Eastwood obteve da viúva de Charlie Parker, Chan Parker. Em seguida, músicos modernos, como Ray Brown, Ron Carter, Red Rodney, Barry Harris e Walter Davis, Jr., gravaram faixas de apoio sobre a música. Dizzy Gillespie estava em turnê, então o trompetista Jon Faddis entrou em cena para fazer a parte de Gillespie.

Foi a primeira vez que Eastwood dirigiu sem ter um papel como ator. A atuação de Forest Whitaker como Charlie Parker é notável, transmitindo suas fragilidades e talento musical, convincente ao extremo e merecidamente reconhecida em Cannes. O filme, o 17° de sua relação com a Warner, foi premiado também com o Globo de Ouro, mas o Oscar só foi lembrado na categoria melhor Som, na qual foi vitorioso. Grande parte do filme gira em torno de seus únicos relacionamentos fundamentais com a esposa Chan Parker (Diana Venora), o trompetista pioneiro do Bebop e líder da banda Dizzy Gillespie (Samuel E. Wright) e sua influência (tanto musicalmente quanto no mundo da dependência de heroína) sobre o trompetista Red Rodney (Michael Zelniker). Apesar da recepção positiva da crítica , Bird foi um fracasso comercial, arrecadando apenas US$ 2,2 milhões na América do Norte, sendo o filme de pior desempenho de Eastwood desde Interlúdio de Amor (1973) e seu terceiro filme de menor sucesso no geral. Um exemplo, ainda assim, da versatilidade de seu diretor de sacar uma Magnum 44 ou um saxofone melódico que nos lembre o que é música. Disponível para compra pela Apple TV.

No próximo artigo vamos de volta ao faroeste com Eastwood.

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