Adilson Carvalho

A morte da cantora Roberta Flack (1937-2025) na semana passada nos remete à segunda metade dos anos 70 e primeira metade dos anos 80, quando a cantora era uma das vozes mais difundidas nas rádios com hits como The First Time Ever I Saw Your Face de 1973 e Killing Me Softly with His Song de 1974, ambas tendo ganhado o Grammy de melhor gravação do ano. Cantora e compositora de grande talento, teve grande influência no subgênero do R&B contemporâneo conhecido como quiet storm e interpretou músicas de compositores como Leonard Cohen e membros dos The Beatles. Roberta Cleopatra Flack, também chamada de Rubina Flack, voltou ao topo das paradas de sucesso em 1983 com o lançamento de Tonight I Celebrate My Love For You, uma balada romântica escrita pelo letrista Gerry Goffin com Michael Masser e gravada em dueto com Peabo Bryson para o álbum de duetos de 1983, Born to Love. A faixa – produzida por Masser – tornou-se um sucesso internacional de milhões de vendas. Bryson e Flack já haviam aparecido na parada de R&B da Billboard com dois singles de dueto: Make the World Stand Still e Love is a Waiting Game, ambos de seu álbum duplo colaborativo Live & More, de 1980. No entanto, Tonight, I Celebrate My Love seria o primeiro single de dueto de Bryson/Flack a entrar na Billboard Hot 100: chegando a 16º lugar em novembro de 1983 e sendo escolhido pelo Daily Telegraph como uma das 50 canções mais românticas de todos os tempos. E é o romantismo que a voz de Roberta mais destacou, de um época de puro lirismo pop. Marcou uma época e deixou um legado para as novas gerações seja por sua música ou por sua luta incansável pela vida. Sobreviveu a um AVC em 2016, à COVID 19 e aos efeitos da Esclerose Lateral Amiotrófica, que mesmo tendo privado a de cantar, procurava ser ativa na Fundação que apoiava. Morreu de ataque cardíaco em 24 de fevereiro desse ano, entrando nos céu para embalar os anjos com sua belíssima voz.