PRELO & PELÍCULA | AS VANTAGENS DE SER INVÍSIVEL

Agatha Santos

Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.” Essa frase me fez refletir de uma forma absurda. As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower) não é só um filme, mas sim um reflexo da realidade e de sentimentos reais. Uma coisa que acho fantástica são filmes que retratam os problemas reais enfrentados na adolescência, e esse filme faz exatamente isso, retratando de forma honesta os problemas reais. O filme conta a história de Charlie (Logan Lerman), um jovem tímido e fechado que está iniciando o ensino médio após a perda trágica de seu único melhor amigo. Logo no início do ano ele se aproxima de Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), dois veteranos que estão finalizando o ensino médio, e que acolhem Charlie em seu grupo de amigos. Assim ele inicia sua vida social, embarcando em diversas experiências.

Na maior parte do filme, o foco são os traumas de Charlie, principalmente aqueles ligados na sua sexualidade; Mesmo se envolvendo com Mary e Sam, ele ainda tem uma grande dificuldade em se sentir confortável em momentos íntimos. Sem contar da dificuldade em dizer seus sentimentos, como por exemplo, quando ele esconde sua paixão por Sam, ou quando tem dificuldade de terminar seu relacionamento com Mary. No final tudo é explicado, o bloqueio de Charlie se origina ao abuso sexual que ele sofreu na infância pela sua falecida tia.

Escrito por Stephen Chbosky, em uma estrutura epistolar, o romance é composto por cartas endereçadas a alguém desconhecido, e narrado em primeira pessoa por Charlie. O romance traz várias menções da cultura pop como nomes de filmes e obras literárias. O autor levou cinco anos para escrever recheando a história de passagens inspiradas em sua própria juventude. Aos 29 anos o livro foi publicado pela primeira vez, chegando ao Brasil pela primeira vez em 2007 pela editora Rocco. O livro mergulha mais na psicologia dos personagens, e o polêmico tema do aborto está presente nas páginas do livro, mas ausente no filme. Achei incrível a estética, a trilha sonora, a atuação brilhante do elenco. O filme é muito bom, é daqueles que toca no coração, convidando o público a refletirem, ensinando que todos nós enfrentamos algo. Logo, não importa o que aconteça, não podemos guardar para nós. Temos que falar, afinal nosso bem-estar é importante. O filme se encerra com Charlie, Sam e Patrick na famosa cena do túnel, simbolizando uma mudança. Agora Charlie se aceita, entendendo que merece o amor e carinho daqueles que o cercam, isso é se sentir infinito. O filme está disponível na Apple TV e na Prime.

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