FRANKENSTEIN PODE LEVAR GUILHERMO DEL TORO A SEGUNDO OSCAR

Adilson Carvalho

As pessoas adoram Guillermo del Toro, e isso não é exagero. O carinho de Hollywood pelo cineasta, vencedor do Oscar por A Forma da Água (The Shape of Water, 2017), vai muito além da mera admiração. O diretor mexicano tornou-se uma das figuras mais queridas da indústria e sua presença em qualquer disputa pelo Oscar nunca se resume apenas ao trabalho que ele apresenta na tela — trata-se da profunda confiança e lealdade que ele inspira em colegas, artesãos e atores. Essa boa vontade pode ser a chave para impulsionar sua última obra, o remake do clássico Frankenstein, na disputa pelo Oscar deste ano. Após estrear em Veneza, onde foi ovacionado por quase 10 minutos, o filme de terror gótico adaptado do romance clássico de Mary Shelley teve duas exibições surpresa no Festival de Cinema de Telluride na noite de domingo (31/08). A sessão das 21h30 no Werner Herzog Theatre e a das 22h no Palm — os dois maiores locais do festival — esgotaram, impedindo a entrada de espectadores.

Guilhermo del Toro e Jacob Elordi

Cada exibição foi apresentada pelo astro do filme, Oscar Isaac, que correu para o festival vindo de Veneza apenas 24 horas antes, antes de deixar o Colorado na manhã de segunda-feira para retornar à Itália para a estreia de seu outro novo filme, The Hand of Dante, dirigido por Julian Schnabel. A recepção do filme tem sido controversa, atualmente com 77% no Rotten Tomatoes. Muitas vezes, isso é normal em qualquer novo projeto de del Toro. Não seria a primeira vez que o nome de del Toro levaria um filme além de suas limitações presumidas. Em 2021, O Beco do Pesadelo (Nightmare Alley, 2021), sua visão exuberante inspirada no noir, entrou na lista dos melhores filmes, apesar de seu tom sombrio e bilheteria modesta. Com três indicações técnicas adicionais, ficou claro que a apreciação da Academia por del Toro transcendeu o gênero ou o apelo comercial. Ele continuou com seu animado Pinóquio em 2022, ganhando o Oscar de melhor filme de animação. Frankenstein pode seguir uma trajetória semelhante, com oportunidades em várias categorias técnicas. O mundo gótico do filme praticamente exige reconhecimento em design de produção, figurino e cinematografia, enquanto a elegância brutal de seu som e maquiagem chamam a atenção. Acrescente a trilha sonora original de Alexandre Desplat — um frequente candidato ao Oscar — e o filme está pronto para um forte apoio técnico. Quando um filme recebe esse tipo de reconhecimento técnico, com 10 vagas disponíveis para melhor filme, uma indicação na categoria principal fica ao alcance. Notavelmente, a luxuosa versão de terror de Robert Eggers para Nosferatu conseguiu quatro indicações, mas não chegou à disputa principal no ano passado. Frankenstein é estrelado por Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth e grande elenco. O filme está previsto para estrear nos cinemas brasileiros em outubro e entra no catálogo da Netflix em novembro.

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