Poema de Sérgio Cortêz
“Sonata”

E decanto esta palavra
cada letra com que conto
e que canto em serenata
o prazer que te componho.
*
A beleza de tuas formas
fez cabal esta aridez
que desertifica o peito
e no efeito impõe a sede
de amar com mil orgasmos
pelo chão, poeira ou rede,
ressecando a minha sede
saciada em beijos d’água…
*
Acabada esta malícia,
e o suplício dos suspiros
do meu corpo no teu corpo,
do meu todo em teu silêncio
quando tudo na palavra
muda o nada e o acaricia…
*
E decanto um novo dia
pelos tons da tua beleza
jovem deusa, musa insana.
Vem, profana esta delícia…
Vem, carícia e gozo incerto…
Chega perto, morde a carne…
Bem covarde e semiárido
eu me inundo do teu beijo
tão agreste a colher flores…
*
(in “Goiabada Démodé” – obra não publicada)
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