Adilson Carvalho

“Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante… Ohio, 1956”. Assim começa uma das comédias teens mais marcantes dos anos 80, que completa 40 anos de seu lançamento. Apesar do humor proposital em empregar a famosa frase de Star Wars, a impressão que se tem é de realmente estar assistindo uma história que se passa em outro mundo, um em que os jovens evocavam a rebeldia de James Dean e as meninas queriam ter a imagem de Elizabeth Taylor. A década da 50 foi bem traduzida em A Primeira Transa de Jonathan (Mischief), título em português infeliz, que remete mais as picardias juvenis de filmes como Porky’s – A Casa do Amor e do Riso (Porky’s, 1980), ou A Última Festa de Solteiro (Bachelor Party, 1984). Na verdade, o filme dirigido por Mel Damski, evoca a nostalgia da década de 50, do nascimento de um olhar diferente para o jovem. Nos Estados Unidos vivia-se a era Ike e no Brasil JK prometia 50 anos em 5, mas o jovem queria ter o mundo nas mãos ao som do rock ‘n’ roll. O roteiro de Noel Black, feito a partir de suas próprias memórias de adolescente., nos leva à cidade de Nelsonville, interior de Ohio, em 1956, onde encontramos nosso protagonista, o estudante Jonathan (Doug McKeon), desajeitado e tímido, que sonha em se aproximar da garota de seus sonhos, Marilyn McCauley (Kelly Preston).Nesse momento chega à cidade, vindo de Chicago, o motoqueiro Gene (Chris Nash), um rapaz experiente e amadurecido, com fama de rebelde. Os dois se tornam bons amigos e Gene Incentiva Jonathan a conquistar Marilyn, enquanto ele mesmo se interessa por Bunny Miller (Catherine Mary Stewart). Os conflitos surgem entre Gene e seu rival no amor de Bunny, o arrogante Kenny (D.W.Brown). Em uma cena, Gene e Bunny competem num “pega” de automóveis remete ao clássico Juventude Transviada (Rebel Without A Cause, 1955), que curiosamente é exibido no drive-in em que se encontram. É cinema exercitando sua metalinguagem para criar uma história que ora flerta com a comédia, como as tentativas desastrosas de Jonathan de conquistar Marilyn, ora mostra o drama das relações familiares de Gene com seu pai amargurado e Bunny com seus pais controladores. Tudo embalado por uma trilha sonora maravilhosa com vários sucessos da época como Everyday de Buddy Holly, My Prayer dos Platters, Don’t be cruel de Elvis Presley e, já na abertura a excelente Blueberry Hill de Fats Domino que recriam toda a atmosfera nostálgica pretendida. O ator Doug McKeon havia trabalhado anteriormente em Num Lago Dourado (On Golden Pond, 1981), contracenando com Henry Fonda, mas foi interpretando Jonathan que ele chegou aos 18 anos, tempo suficiente para filmar a cena em que Kelly Preston, que tinha 23 anos e fazia sua primeira cena de nudez, que segundo a própria não lhe causou nenhum embaraço. McKeon brincou mais tarde dizendo que, se não tivesse completado 18 anos, ver Kelly Preston se despir teria feito dele um homem muito rapidamente. O filme passou desapercebido nos cinemas brasileiros, se tornando cult depois de exibido pela primeira vez na Tela Quente da Rede Globo de 23 de março de 1989, outro tempo e lugar ainda mais distante.
Dublado nos Estúdios Telecine:
Doug McKeon (Jonathan Bellah) : Oberdan Junior, Kelly Preston (Marilyn McCauley): Nair Amorim, Chris Nash (Gene Harbrough) : Nizo Neto, Catherine Mary Stewart (Bunny Miller) : Miriam Fischer, D,W.Brown (Kenny): Rodney Gomes, Jami Gertz (Rosalie): Maralisi Tartarini.