IMORTAIS DA DUBLAGEM | BORGES DE BARROS

Adilson Carvalho inicia uma série de matérias sobre os saudosos dubladores que nos legaram momentos inesquecíveis.

Minha infância foi marcada por bordões como “Oh dor” (Dr. Smith em Perdidos no Espaço), “Meu caro colega” (O mendigo de A Praça é Nossa) ou “Rapazes, preparem-se” (Moe dos Três Patetas). Borges de Barros (1920–2007) foi um dos maiores dubladores da história do Brasil e primeiro a ser homenageado no novo ciclo de matérias do Cinema Com Poesia. Dono de uma voz icônica e de uma versatilidade impressionante, Filete Borges de Barros ficou mundialmente conhecido por dar voz a personagens que exigiam um tom mais caricato, idosos ou vilões excêntricos como o Pinguim (Burguess Meredith) da série clássica Batman (1966/1969). Borges de Barros não era apenas dublador, mas também um ator de comédia muito famoso na televisão. Ele interpretou o personagem Pancrácio, o mendigo aristocrata, na Praça da Alegria e, posteriormente, em A Praça é Nossa, com o bordão inesquecível: Tenho ou não tenho razão?. Conhecido como “O homem das mil caras e das mil vozes“, o ator fez o Papai Smurf na animação clássica dos Smurfs, o misterioso Mestre dos Magos na série animada A Caverna do Dragão, Zeca Urubu na clássica animação do Pica Pau, e, talvez poucos saibam que ele foi a voz do robô C3PO na primeira dublagem de Star Wars (Episódios IV, V e VI). Sua técnica de dublagem foi tão influente que se tornou referência na área, de modo que seu nome virou verbo. Sempre que um dublador consegue acertar uma sequência difícil, o profissional recebe o elogio de que ele “borgeou” aquele trabalho. Inesquecível foi o encontro entre o dublador e o ator Jonathan Harris, de Perdidos no Espaço. O encontro histórico entre Borges de Barros e o ator Jonathan Harris (o Dr. Smith) aconteceu em março de 1969. O encontro ocorreu durante uma visita de Jonathan Harris ao Brasil para divulgar a série Perdidos no Espaço. Ele participou do programa da Hebe Camargo, onde conheceu pessoalmente o seu dublador oficial brasileiro, e Harris elogiou muito o trabalho de Borges de Barros assumindo que era melhor que o som original de sua voz. Entre as falas imortalizados estão os vários xingamentos como “Sua lata de sardinha“, “Sucata“, geralmente direcionados ao Robô, ou mesmo a cômica frase “Nada tema, com Smith não há problema“. Em algumas versões do registro histórico, cita-se que Jô Soares serviu como intérprete durante a entrevista para Hebe, um dos momentos mais lembrados da era de ouro da dublagem brasileira. Borges de Barros faleceu no dia 12 de dezembro de 2007, aos 87 anos, vítima de parada cardíaca, após cerca de 25 dias de internação por insuficiência renal, deixando um legado de excelência na dublagem e na história da TV brasileira.

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