🎬🎥 AUDREY HEPBURN IMORTAL | A PRINCESA & O PLEBEU ⭐⭐⭐⭐

Marcelo Kricheldorf

Lançado em 1953, sob a direção magistral de William Wyler, A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday) não é apenas o filme que lançou Audrey Hepburn ao estrelato mundial; é um clássico que utiliza a cidade de Roma como palco para um dilema universal: o conflito entre o desejo individual e a responsabilidade social. Através de uma narrativa leve, porém melancólica, o filme questiona as estruturas de poder e celebra a efemeridade da liberdade.
A trama se inicia com a Princesa Ann sufocada pelo protocolo aristocrático. A direção de Wyler utiliza espaços fechados e enquadramentos rígidos para enfatizar seu aprisionamento. A crítica à monarquia aqui é sutil, mas contundente: Ann é tratada como um objeto diplomático, privada de sono, comida de sua escolha e, acima de tudo, de agência. Sua fuga para as ruas de Roma representa a busca por uma “vida autêntica”, onde ela deixa de ser um título para se tornar uma pessoa comum. A escolha de Audrey Hepburn foi o elemento crucial para o sucesso da obra. Sua atuação equilibra uma elegância inata com uma vulnerabilidade quase infantil. Ao lado de Gregory Peck (Joe Bradley), a química transcende as barreiras de classe social. Wyler, conhecido por seu perfeccionismo, optou por filmar inteiramente em locações reais na Itália, fugindo dos cenários artificiais de Hollywood. Isso conferiu ao filme um tom de documentário urbano que acentua a mudança social e cultural dos anos 1950, onde o mundo buscava cores e vida após o trauma da Segunda Guerra Mundial.
O relacionamento entre Ann e o jornalista Joe Bradley desafia as convenções. Inicialmente movido pelo interesse profissional (o “furo” jornalístico), Joe acaba humanizado pela pureza de Ann. A icônica cena da Vespa é o símbolo máximo dessa união: um veículo popular, ágil e barulhento, que transporta a realeza pelo caos democrático de Roma. No entanto, o filme subverte o clichê do “viveram felizes para sempre“. Ao final, a responsabilidade vence a liberdade; Ann retorna ao seu dever, mas agora como uma mulher transformada, que conheceu o sabor da independência.
A influência de A Princesa e o Plebeu é sentida até hoje na cultura popular, servindo de molde para inúmeras produções sobre a realeza — desde O Diário da Princesa (2001) até episódios da vida real da família real britânica como em The Crown (2016/2023). O filme imortalizou a imagem de Roma e estabeleceu um novo padrão de feminilidade no cinema: uma mulher que, embora limitada por sua posição, possui um mundo interior rico e uma vontade inabalável. Em suma, a obra de William Wyler permanece relevante atualmente, sua honestidade emocional. Ela nos lembra que, embora a liberdade possa ser temporária como um “feriado romano”, a transformação que ela provoca na alma é permanente.

Ficha Técnica

  • Título original: Roman Holiday
  • Direção: William Wyler
  • Roteiristas: Dalton Trumbo, Ian McLellan Hunter e John Dighton
  • Elenco principal:
  • Audrey Hepburn como Princesa Ann
  • Gregory Peck como Joe Bradley
  • Eddie Albert como Irving Radovich
  • Hartley Power como Sr. Hennessy
  • Harcourt Williams como Embaixador
  • Gênero: Comédia Romântica
  • Duração: 1h 58min (118 minutos)
  • País de origem: Estados Unidos
  • Prêmios:
  • 3 Oscars, incluindo Melhor Atriz (Audrey Hepburn)

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Leia matéria sobre Bonequinha de Luxo no ciclo de matérias Audrey Hepburn Imortal:

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