MUSICA & POESIA | DAVID BOWIE O CAMALEAO DA CULTURA POP

🎥🎬🎞️🎹  Marcelo Kricheldorf

David Bowie, nascido David Robert Jones em 1947, não foi apenas um músico, mas um arquiteto da cultura contemporânea cujas inovações continuam a ser estudadas como marcos da arte transmidiática. Frequentemente chamado de “Camaleão do Rock”, sua trajetória é definida por uma metamorfose incessante que uniu música, artes visuais, cinema e tecnologia.
A carreira de Bowie é um mapa da música moderna. Após um início folk com o hit “Space Oddity” (1969), ele catalisou o Glam Rock no início dos anos 70 através de seu alter ego Ziggy Stardust, uma figura andrógina que fundia o teatro kabuki com o rock pesado. Essa teatralidade pavimentou o caminho para o Punk e o Pós-Punk.
Nos anos 70, Bowie explorou o “Plastic Soul” em Young Americans (1975) antes de se refugiar em Berlim. Lá, ao lado de Brian Eno, ele criou a aclamada “Trilogia de Berlim” (Low, Heroes, Lodger), incorporando sintetizadores e música minimalista que definiriam a eletrônica e o art-rock das décadas seguintes.


Bowie era um mestre da colaboração, revitalizando as carreiras de Iggy Pop (produzindo The Idiot e Lust for Life) e Lou Reed (em Transformer). Sua parceria com o Queen resultou no clássico “Under Pressure”, enquanto sua união com Nile Rodgers nos anos 80 o transformou em um fenômeno pop global com Let’s Dance (1983).
No cinema, sua presença era magnética. Desde o papel de um alienígena em O Homem Que Caiu na Terra (1976), Fome de Viver (1982) até o icônico Rei Jareth em Labirinto (1986), Bowie utilizava a tela para expandir suas explorações sobre a identidade e o outro. No teatro, sua contribuição culminou no musical Lazarus, estreado em 2015 como parte de sua despedida artística.
Visionário tecnológico, Bowie previu o impacto da internet na indústria fonográfica, lançando o BowieNet em 1998 e sendo um dos primeiros a disponibilizar downloads digitais. Na moda, sua recusa em aceitar barreiras de gênero influenciou gerações de estilistas, transformando a androginia em uma declaração de liberdade pessoal. Até mesmo sua característica visual mais famosa — as pupilas de tamanhos diferentes (anisocoria) causadas por uma briga de infância — tornou-se um símbolo de sua aura extraterrestre.
Em janeiro de 2016, dois dias após completar 69 anos e lançar o álbum experimental Blackstar, Bowie faleceu após uma batalha privada de 18 meses contra o câncer de fígado. Blackstar (vigésimo sexto e último álbum de estúdio) é hoje visto como um “presente de despedida” meticulosamente planejado, transformando a própria morte em uma obra de arte. Atualmente, seu legado permanece como um lembrete da capacidade humana de se reinventar, provando que a arte de David Bowie é, acima de tudo, atemporal

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