Por Adilson Carvalho

No dia de hoje ha exatos 60 anos a TV americana iniciou a primeira Batmania, e por um longo tempo, a imagem do homem morcego, que ficou na memória afetiva de muita gente, inclusive deste escriba, foi a de Adam West. Isso graças ao seriado de TV produzido por William Dozier para a ABC, chegando a aparecer na capa da revista “Life” em Janeiro do referido ano. Era 12 de janeiro de 1966, .. O tom de aventura, no entanto, era diluído pelo mais puro deboche e nonsense com Bruce Wayne ganhando a forma do barrigudinho Adam West, acompanhado do seu pupilo Dick Grayson (Burt Ward) o impagável menino prodígio e suas santas exclamações. Muitos se enganam ao julgar o seriado de TV como uma adaptação inferior do herói. De fato, a série distorce a persona amargurada e as habilidades investigativas do herói. Mas, a serie é o produto de uma época e assim deve ser analisado.

A série faz de Batman um baluarte da moral e dos costumes, defensor do bom cidadão americano a quem a polícia confia a proteção da sociedade. O maior destaque ficava para a marcante galeria de vilões personificada por grandes artistas da época, e cada qual contando com um tema musical personalizado : Cesar Romero (galã de diversos filmes Hollywoodianos nos anos 40 e 50) como o Coringa,Burguess Meredith (ator de currículo prolífico nas telas) como o Pinguim, Otto Preminger (diretor de cinema) como Mr. Freeze,Liberace (o grande pianista) como Chandell, e entre tantos outros dignos de menção, Julie Newmar, a primeira Mulher-Gato, cuja sensualidade mexia com os alicerces do herói mascarado e com a garotada que assistia ao seriado. O sucesso na TV levou ao filme As Aventuras de Batman e Robin realizado entre a primeira e a segunda temporada da série, levando o elenco da TV para a tela grande, com a exceção de Julie Newmar estava ocupada filmando O Ouro de MacKenna com Gregory Peck, e não pode aparecer no filme do homem-morcego, sendo substituída por Lee Merriwether, ex- miss America. O seriado ainda resgatou a personagem da Tia Harriet (Madge Blake) e o fiel mordomo Alfred (Alan Napier) que na época não aparecia nas HQs.

A exibição dos episódios era duas noites por semana com o gancho final entre um episódio e outro servindo para atrair o público. Os dois primeiros estrelados pelo Charada, vividos pelo histérico Frank Gorshin, é o mais dramático de toda a série. Nele, o Charada arma um plano para expor a identidade secreta do herói processando o por agressão, sequestrando Robin e o substituindo por Molly (Jill St.John) que descobre a localização da Batcaverna mas morre tragicamente antes de revela-la ao vilão. Na terceira temporada, a audiência já declinava quando Dozier introduziu Yvonne Craig (ex bailarina que atuou também ao lado de Elvis Presley) como Barbara Gordon, a Batgirl , que era filha do Comissário (o veterano Neil Hamilton) e auxiliava os heróis na luta contra o crime. O clima das HQs é reforçado pelas onomatopeias coloridas que invadem a tela nas cenas de briga e a contagiante música tema de Neal Hefti (que trabalhou como arranjador de Frank Sinatra). Depois de 120 episódios que reproduziam o clima dos antigos seriados com as dramáticas chamadas que serviam de gancho entre um episódio e outro : “Conseguirão nossos heróis escapar da terrível armadilha? Não percam a continuação, mesma bat-hora, mesmo bat-canal!”. Impossível não lembrar de iconico tema musical de Neal Hefti.
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