Adilson Carvalho
Foram 18 meses de filmagem na Nova Zelândia, e 4 Oscars (melhor efeitos visuais, fotografia, trilha sonora e maquiagem), um triunfo de adaptação literária vindo de uma obra de superlativos, e de complexidade desafiadora para qualquer roteirista hábil, missão gloriosa que coube a Fran Walsh e Philippa Boyens. Além de ser o único membro do elenco e da equipe a ter conhecido J.R.R. Tolkien pessoalmente, Sir Christopher Lee também foi a primeira pessoa a ser escalada para a trilogia, devido ao seu vasto conhecimento dos livros. Ele visitava frequentemente o departamento de maquiagem e costumava dar dicas sobre o design facial dos monstros. O intérprete de Saruman lia O Senhor dos Anéis uma vez por ano até sua morte em 2015, e fazia isso desde 1954, o ano em que o livro foi publicado. Originalmente, a narração do prólogo seria feita por Elijah Wood, mas considerou-se que as informações transmitidas tinham pouca relevância para o personagem Frodo. Sir Ian McKellen, que assumiu o papel de Gandalf depois da recusa de Sean Connery, também gravou uma narração, mas, mais uma vez, considerou-se que Gandalf não era o personagem certo para narrá-la; nem ele nem Frodo estavam presentes nos eventos descritos no prólogo. Por fim, decidiram-se por Cate Blanchett como Galadriel, pois isso enfatiza a atemporalidade dos elfos. A trilogia inteira foi filmada simultaneamente, tornando-se a primeira produção do gênero da história de Hollywood. Viggo Mortensen entrou para o filme quando as filmagens já estavam em andamento, sem nunca ter conhecido o diretor Sir Peter Jackson antes, nem mesmo ter lido o livro de J.R.R. Tolkien. Foi Henry Mortensen, filho de onze anos de Mortensen e fã do livro, quem mais influenciou Mortensen a aceitar o papel de Aragorn, inicialmente pensado para Stuart Townsend.

O plano original de Sir Peter Jackson era contratar exclusivamente atores britânicos para os papéis dos hobbits. No fim das contas, Billy Boyd e Dominic Monaghan foram os únicos, e uma das tarefas que ele lhes atribuiu foi ensinar a Elijah Wood e Sean Astin os costumes da cultura dos pubs britânicos. O romance original de J.R.R. Tolkien descreve o destino de todos os anões sobreviventes de O Hobbit. Gimli, papel de John Rhys Davis, chega a Rivendell apenas para acompanhar seu pai, Gloin, membro da missão de Bilbo, que veio informar aos Elfos que os servos de Sauron estão procurando por Bilbo. Gimli acaba sendo selecionado, para que os anões, juntamente com todos os outros povos livres da Terra-média, fossem representados na Sociedade. Balin, cujo túmulo eles encontram em Moria, também era um membro. Infelizmente, a maioria dos outros anões sobreviventes acompanhou Balin até lá e foi morta quando os Orcs e o Balrog retornaram. A Miramax gastou US$ 14 milhões para desenvolver o projeto, mas, devido ao orçamento previsto, os irmãos Weinstein precisavam da aprovação da Disney para seguir em frente. Harvey Weinstein fez a proposta para dois filmes, com um orçamento previsto de no máximo US$ 180 milhões. O presidente da Disney, Michael Eisner, rejeitou sua proposta, achando que O Senhor dos Anéis não funcionaria bem no cinema e que o público para o gênero fantasia era limitado. Após a rejeição de Eisner, os Weinsteins relutantemente deixaram Sir Peter Jackson oferecer o projeto a outros estúdios. Jackson disse mais tarde que estava feliz que o acordo com Harvey Weinstein não tivesse dado certo, chamando-o de “um verdadeiro valentão” que governava através de “táticas mafiosas”. Weinstein teria querido tirar o projeto de Jackson e dá-lo a Quentin Tarantino, além de proibir que ele escalasse Mira Sorvino e Ashley Judd (que mais tarde acusaria Weinstein de agressão sexual). Jackson jurou nunca mais trabalhar com Weinstein e levou o projeto ao diretor executivo da New Line Cinema, Robert Shaye, que finalmente aprovou o projeto para três filmes com um orçamento combinado de US$ 300 milhões e dando origem a uma das melhores franquias de fantasia nas telas.