O SENHOR DOS ANÉIS – 20 ANOS DEPOIS

Por Adilson Carvalho

Um anel para a todos governar, um anel para encontrá-los, um anel para todos trazer e na escuridão aprisioná-los“. Assim lemos em uma das mais fabulosas obras da literatura fantástica, mais de 1200 páginas de aventura e magia que há 20 anos recebeu um tratamento cinematográfico à altura da obra e de seu autor, o sul africano J.R.R.Tolkien (1892 – 1973). Em 1º de janeiro de 2002 chegava aos cinemas brasileiros a primeira parte da saga “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel” (The Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring).

O diretor Neo-Zelandês assumiu uma tarefa hercúlea adaptando uma obra de grande complexidade narrativa, com várias ramificações e tramas paralelas, além de várias elementos mitológicos, filológicos e até mesmo religiosos. Os três volumes da saga foram filmados juntos, ficando para a mesa de edição dividir todo o conteúdo da extensa história escrita por Tolkien como uma sequência para “O Hobbit” (1937), e desenvolvida ao longo de vários anos, incluindo atravessando os tempos da Segunda Guerra (Tolkien havia inclusive lutado na Primeira Guerra). Peter Jackson foi hábil em traduzir para a mídia cinematográfica a essência da obra do Professor Tolkien escalando um elenco misto entre rostos conhecidos e desconhecidos: Elijah Wood de “Anjo Malvado” (Frodo), Sam Astin, de “Goonies” (Sam), os novatos Dominic Monoghan (Merry) e Billy Boyd (Pippin), além do veterano Ian Holm, de “Alien o 8º Passageiro” como Bilbo Bolseiro no núcleo dos Hobbits. Outro novato então era Orlando Bloom como o elfo Legolas, além de Viggo Mortensen, com uma carreira já considerável, como Aragorn e dos experientes atores John RHyes Davis (Os Caçadores da Arca Perdida), Sir Ian MacKellan (Deuses & Monstros) como Gandalf e o icônico Christopher Lee (Drácula) como Saruman, único membro do elenco que conheceu Tolkien e que já havia lido o livro original várias vezes. A eles se somaram Sean Bean (Boromir), Cate Blanchett (Galadriel), Hugo Weaving, o agente Smith de “Matrix” (Elrond), Liv Tyler de “Armageddon” (Arwen), cujo papel foi ampliado em relação ao livro e, enfim, Andy Serkis em uma impressionante atuação como Gollum, realizado com o avanço da técnica da captura de movimento.

O filme foi um sucesso de bilheteria rendendo mundialmente cerca de US$897,690,072 para um orçamento estimado em US$93 milhões, abrindo caminho para os demais filmes “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers) em 2003 e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (The Lord of the Rings: The Return of the King) de 2004. A impressionante batalha no Abismo de Helm levou quatro meses para ser filmado, mas o esperado confronto entre Gandalf e Saruman acabou sendo excluído na edição final, somente sendo resgatado na versão estendida lançada tempos depois. Ao fim dos lançamentos foram dezessete Oscars, sendo 4 para o primeiro, 2 para o segundo e 11 para o terceiro, além de outras premiações que ajudaram os estúdios de Hollywood a investir em outras épicos de fantasia como “As Crônicas de Narnia“, “A Bússola de Ouro“, “Eragorn” que não conseguiram obter o mesmo resultado, na mesma dimensão que a saga de Tolkien.

2022 trará a aguardada série de Tv da Amazon que comprou os direitos da obra de Tolkien e promete aprofundar ainda mais em várias passagens deixadas de fora por Jackson, o que certamente levará a um novo despertar de interesse pela magia da Terra Média.

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