MESTRES DA TRILHA SONORA | MIKLOS ROZSA

Paulo Telles

Miklos Rozsa nasceu em Budapeste a 18 de abril de 1907,  e desde cedo demonstrou a mesma afinidade com sua mãe para a música (Sua mãe tinha treinado ele como um pianista, na Academia Liszt.). Miklos aprendeu o violino, a viola, e piano, e foi publicamente executar Mozart com a idade de 7 anos. Com a carreira musical esperada, ele foi sendo inspirado por Bartok, Kodaly, entre outros músicos, e compartilhou o seu gosto pela música folclórica húngara. Ele estudou formalmente na Universidade de Leipzig e lá compôs várias obras clássicas, incluindo o seu primeiro Concerto para Violino. Ele continuou a compor depois de se mudar para Paris e ganhou a atenção de Richard Strauss e Dohnanyi. Ele estudou em mais de trinta colégios em Londres, e uma de suas composições foi o primeiro para um filme do cinema europeu, dirigidos pelos diretores Jacques Feyder e Alexander Korda. Quando irrompeu a guerra na Europa, Rozsa mudou-se para os Estados Unidos, onde sua trilha O Ladrão de Bagdá (O Livro das Selvas, fita estrelada por Sabu) trouxe-lhe a atenção imediata e uma indicação ao Oscar. Ele continuou seu trabalho em Hollywood e com uma prolífica carreira distinta marcando vários filmes bem conhecidos. Entre estes estão vários exemplos do clássico Film Noir, como Brutalidade/Brutal Force (1947) Baixeza/Criss Cross (1948) (ambos estrelados por Burt Lancaster) antes que ele conquistasse a reputação de estilista em filmes épicos ou bíblicos, como Ben-Hur,  Quo Vadis e El Cid.  Rozsa também foi professor de música de Jerry Goldsmith.

Pacto de Sangue (1944),  Sangue sobre o Sol (1945), Quando fala o Coração(1945) e Os Assassinos (1946), são suas primeiras obras musicais para o cinema americano. Ganhou seu primeiro Oscar como compositor, em 1946, pela trilha de Quando Fala o Coraçãoobra dirigida por Alfred Hitchcock (1899-1980) e estrelada por Gregory Peck e Ingrid Bergman. Em 1949, Miklos foi contratado pela Metro Goldwyn Mayer (MGM) para ser um dos compositores do estúdio. Foram momentos altamente produtivos para o compositor húngaro. No ano seguinte, sua primeira trilha para MGMQuo Vadis, fita dirigida por Mervyn Le Roy (1905-1987) e estrelada por Robert Taylor e Deborah Kerr (e baseada na obra literária de Henrik Sienkiewicz, publicada em 1896) marcou o início de uma nova fase para o músico e maestro, que saiu do estilo psicológico e do submundodos filmes policiais dos anos de 1940, para o estilo épico e ora religioso, inspirado num estilo greco-romano clássico. Vale lembrar que a partitura de Rozsa para Quo Vadis tornou-se imensamente célebre, sendo a primeira trilha sonora da história do cinema a alcançar grandes índices de vendas de discos. Rozsa ainda realizou outras trilhas sonoras para o Estúdio do leão, como Todos os Irmãos eram Valentes(1953), O Veleiro Da Aventura(1951), Ivanhoé, O Vingador do Rei (1953), Os Cavaleiros da Távola Redonda (1954), O Vale dos Reis (1954),  Júlio César (1955), Sede de Viver (1957) e um western, Tributo a um Homem Mau(1958).

Quo Vadis

Recebeu 17 indicações para o Oscar, tendo recebido em sua carreira apenas três: Quando fala o Coração /Spellbound (1945),  Fatalidade/A Double Life(1947), e Ben-Hur (1959). BEN-HUR foi um marco memorável na sua carreira, no final da década de 1950. Na década seguinte, com o Oscar conquistado por esta esplendorosa fita épica (que também deu o Oscar ao seu diretor, William Wyler e ao astro Charlton Heston em atuação vibrante) seu contrato com a Metro já estava em fase de expiração. Nesta época, Louis B. Mayer (1884-1957) não era mais o chefão do estúdio, pois havia falecido, e Rozsa ainda compôs as trilhas de mais dois épicos espetaculares: Rei dos Reis/ King Of Kings (1961), sacra película recontando a Vida e a Paixão de Jesus Cristo (interpretado por Jeffrey Hunter) dirigida por Nicholas Ray (1911-1979), sendo sua última composição para a MGM, e El-Cid, épico dirigido por Anthony Mann (1906-1967) para a Allied Artist, estrelado Por Charlton Heston e Sophia Loren. Tais filmes com suas composições acabaram por firmar o artista húngaro como um mestre definitivamente estilista no gênero épico.  Encerrando seu contrato com a MGM, Miklos tornou-se independente e disponível para outros estúdios que quisessem contratá-lo. Em 1967, compôs para a Warner a trilha de Os Boinas Verdes/The Green Barett, película de Guerra estrelada e dirigida por John Wayne (1907-1979). Nos anos de 1970, quando os filmes épicos e bíblicos saíram da moda em Hollywood, Rozsa produziu trilhas para outros gêneros, como Providence(1977),  Fedora(1978), e Um Século em 43 minutos(1979).

Em 1982, Rozsa compôs sua última trilha sonora para um filme de Hollywood: Cliente Morto Não Paga, estrelado por Steve Martin. O Filme era uma paródia dos clássicos filmes noir da década de 1940. O compositor, então com 75 anos de idade, foi chamado para executar e resgatar os arranjos que ele mesmo compôs e produzir a trilha do filme. Vivendo o restante da vida nos Estados Unidos com sua família, com sua aposentadoria, e ainda se apresentando publicamente como convidado em palestras sobre a arte da música, o grande compositor faleceu a 27 de julho de 1995, aos 88 anos de idade.

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