Marcelo Kricheldorf

O A-HA transcendeu o rótulo de “maravilha de uma só música” para se estabelecer como uma das forças mais duradouras e influentes do synth-pop e rock alternativo. Com uma carreira que abrange décadas, a banda norueguesa — composta por Morten Harket, Pål Waaktaar-Savoy e Magne Furuholmen — deixou uma marca indelével na música global, combinando melodias acessíveis com uma profundidade artística que desafia classificações simples.
A gênese do A-HA remonta a 1982, em Oslo, quando Pål e Magne, amigos de infância com uma paixão compartilhada pelo rock progressivo e new wave, uniram forças. A entrada de Morten Harket, com sua voz distintiva e alcance notável, completou o trio. Impulsionados por uma ambição que superava as limitações do mercado norueguês, eles tomaram a decisão ousada de se mudar para Londres. Enfrentaram anos de dificuldades, vivendo em condições precárias e batendo de porta em porta em gravadoras, até assinarem com a Warner Bros. Records.
O sucesso estrondoso veio em 1985 com Take On Me. A canção, que já havia passado por duas versões anteriores sem sucesso, explodiu globalmente graças, em grande parte, ao seu videoclipe inovador. Dirigido por Steve Barron, o vídeo utilizou a técnica de rotoscopia para criar uma narrativa visual que mesclava o mundo real e um universo de quadrinhos, capturando a imaginação do público e garantindo uma rotação massiva na MTV.
O álbum de estreia, Hunting High and Low, solidificou o status da banda. Produzido por Tony Mansfield e, em faixas-chave como a própria Take On Me eThe Sun Always Shines on T.V., por Alan Tarney, o álbum demonstrou um equilíbrio magistral entre a tecnologia dos sintetizadores da época e uma sensibilidade pop atempoprodução capturou a melancolia inerente às composições de Pål, criando uma sonoridade que era simultaneamente radiofônica e artisticamente ressonante.
Longe de se contentarem com a fórmula pop, o A-HA buscou constantemente a evolução. Álbuns subsequentes, como Scoundrel Days e East of the Sun, West of the Moon, apresentaram um som mais maduro, com maior ênfase em guitarras e arranjos mais complexos, afastando-se do synth-pop puro em direção a um rock alternativo sofisticado.
A identidade sonora da banda é inseparável dos talentos individuais de seus membros. Em 1987 a banda explicou um grande sucesso com a trilha sonora de 007 – Marcado Para a Morte, a excelente The Living Daylights. E pouco depois veio a maravilhosa regravação de Crying In The Rain, original do Everly Brothers de 1962.
O elemento mais reconhecível, o vocal de Morten é notável por seu alcance impressionante, estimado em cinco oitavas, e sua capacidade de entregar performances emotivas e controladas. Sua técnica vocal é um pilar da sonoridade do a-ha.
A Guitarra de Pål Waaktaar-Savoy: Como principal compositor e letrista, Pål trouxe influências do rock clássico e da psicodelia. Sua guitarra não é apenas um acompanhamento, mas uma força motriz, adicionando textura e profundidade que desafiam a simplicidade do gênero pop.
A relação entre os membros da banda sempre foi complexa, caracterizada por uma “amizade profissional” que, embora produtiva, levou a tensões e hiatos. O documentário A-HA: The Movie (2021) ofereceu um olhar franco sobre essas dinâmicas.
Apesar das pausas em 1994 e 2010, o A-HA sempre encontrou o caminho de volta. A reunião em 2015, que resultou no álbum Cast in Steel e turnês mundiais, demonstrou que a química musical do trio permanece intacta.
O legado do A-HA é vasto. Eles abriram portas para artistas noruegueses no cenário internacional e influenciaram uma gama diversificada de músicos, desde bandas de rock melancólicas até artistas pop contemporâneos como The Weeknd. Take On Me perdura como um fenômeno cultural, superando gerações. A influência do A-HA no rock e na música pop é a prova de que a arte genuína, quando combinada com a visão e a inovação, cria um legado que resiste ao teste do tempo.
parabéns pela matéria meu nobre
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