ISABELLE HUPPERT É CONDESSA VAMPIRA

Adilson Santos

Isabelle Huppert, a fabulosa atriz francesa está prestes a impressionar mais uma vez, desta vez no papel de uma vampira. Em entrevista recente ela declarou que sempre quis interpretar uma “assassina sádica e manipuladora”. Ela tem sua chance na comédia sombria de vampiros de Ulrike Ottinger intitulada A Condessa Sanguinária (The Blood Countess), aqui como a nobre húngara serial killer Erzsébet Báthory. Mas Huppert, hilária e brilhante como sempre, com looks vermelhos de morrer, não se limita a sugar sangue: ela também suga o ar da sala de um bando de personagens secundários bobos e pastelões. As melhores atuações de Isabelle Huppert, que são todas elas, baseiam-se no seu olhar implacável, e no filme de Ottinger não é diferente. O guarda-roupa que o figurinista Jorge Jara aplica a Huppert como Báthory, aqui ressurgindo após décadas de sono profundo para impedir um livro misterioso que poderia potencialmente acabar com seu reinado, é inegavelmente delicioso. O filme inclui um elenco excêntrico de personagens que apenas distraem da atuação imponente de Huppert (que também é um lembrete do talento raramente explorado de Huppert para a comédia). Este é um filme extremamente longo, com duas horas de duração, preenchido por um elenco excessivamente numeroso. Há a serva Hermine (Birgit Minichmayr, com maquiagem e cabelo que lembram Sally Bowles e o expressionismo alemão), que agora trabalha como governanta no hotel de Viena para onde Báthory retorna. Huppert implora que ela a ajude a localizar esse livro antigo potencialmente mortal e, ao mesmo tempo, a organizar uma festa de vampiros com tudo (novamente repleta de looks deslumbrantes). Este livro temido pode tornar um sugador de sangue mortal novamente se tocado pelas lágrimas de um vampiro, então prepare-se para o pânico dentro da comunidade. Depois, há os incômodos vampirologistas Theobastus Bombastus (André Jung) e Nepomuk Afterbite (Marco Lorenzini), que chegaram a este hotel para uma conferência sobre vampiros e estão fascinados pela lenda de Erzsébet e, meu Deus, também pelos seus vestidos. Além disso, Thomas Schubert interpreta o sobrinho vegetariano de Erzsébet, ansioso por provar a mortalidade e potencialmente frustrando sua missão de aniquilar este livro que também poderia acabar com ela. Você pode começar a perder literalmente o fio da meada quando Erzsébet e aqueles que a perseguem se dirigem para as vielas e canais de Viena — aqui, formas precárias semelhantes ao noir cobertas por um ar frio — sugando todo o sangue que ela pode. As sequências de perseguição pelas ruas e escadas são mais surpreendentemente inexpressivas do que barulhentas. O filme fez sua estreia no 76º Festival de Berlim, ainda ocorrendo (de 12 a 22 /02) mas ainda não tem data de estreia para o Brasil.

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