A CAMINHO DO OSCAR 2026 | PECADORES ⭐⭐⭐⭐⭐

Adilson Santos

O roteirista e diretor que fez Creed – Nascido Para lutar (2015), Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (2022) surpreendeu o público ao se valer do tema do vampirismo, já muito desgastado por múltiplas reinvenções, e transformá-lo em um entretenimento com conteúdo. A história dos irmãos Smoke e Stack, papel duplo do sempre excelente Michael B. Jordan, que voltam à sua cidade natal com o objetivo de reconstruir a vida e apagar um passado conturbado. Porém esse trauma volta a atormentá-los quando uma força maligna passa a persegui-los, trazendo para a superfície medos e traumas. Esse mal busca tomar conta da cidade e de todos os cidadãos, obrigando-os a lutar para sobreviver. Embora muitos tenham visto ecos de Um Drink no Inferno (From Dusk To Dawn,1998), o filme de Ryan Coogler tem personalidade própria. A figura dos vampiros funcionam como um catalisador para questões como o racismo, herança musical, vida e claro morte. O filme usa elementos do gênero terror, mas não se limita e estes, criando um eficiente recorte espaço-temporal do Mississipi nos anos 30 e da aura jazzística que convivia com a pobreza, com a violência e a ambientação inóspita do sul dos Estados Unidos. O roteiro mostra como a morte se espalha quando a comunidade é invadida por forças externas, e o vampiro é aquele que se introduz no meio para se alimentar de todos, explorar o que era vida e alegria. A cenografia é primorosa e a trilha sonora um esplendor, conectados à perfeição com o roteiro original do próprio Coogler, um notável mérito em uma Hollywood entregue a franquias pouco ou nada criativas se comparado ao que Pecadores traz. Claro que nada disso apaga o valor da atuação de Michael B. Jordan e do elenco de coadjuvantes que inclui Delroy Lindo, Hailee Steinfeld, Jack O’ Connell e o novato Miles Caton. O filme quebrou o recorde de indicações ao Oscar, que antes era de A Malvada (1950) com 14 indicações, igualada com Titanic (1997) e La La Land (2016). Público e crítica aplaudiram confirmando o sucesso do filme, reflexo de que o público deseja é uma história bem contada, que não seja de todo inédita, mas que saiba injetar na tela o efeito que somente uma boa história consegue.

Indicado a 16 Oscars: Melhor filme, melhor diretor (Ryan Coogler), melhor ator (Michael B. Jordan), melhor roteiro original (Ryan Coogler), melhor ator coadjuvante (Delroy Lindo), melhor atriz coadjuvante (Wunmi Mosaku), melhor Trilha sonora (Ludwig Göransson), melhor edição, melhor fotografia, melhor figurino, melhor maquiagem, melhor produção de Arte, melhor som, melhor efeitos visuais e melhor canção original (“I Lied to You”) e melhor elenco.

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