Marcelo Kricheldorf relembra desse épico sobre amor e perda.

Lançado em 1997 sob a direção ambiciosa de James Cameron, Titanic transcendeu a barreira de um simples épico histórico para se tornar um fenômeno cultural. A obra utiliza o trágico naufrágio do “inafundável” Titanic como pano de fundo para uma narrativa que explora a profundidade da condição humana, as barreiras sociais da época e a perenidade da memória.
O filme estrutura-se através de uma narrativa memorável: a Rose idosa, sobrevivente do desastre, retorna ao local do naufrágio para compartilhar sua história com caçadores de tesouros modernos. Esse recurso transforma o espectador em um ouvinte atento de um relato íntimo. No centro da trama, o encontro entre Jack Dawson, um artista itinerante da terceira classe, e Rose DeWitt Bukater, uma aristocrata vivendo em seu “redoma”, serve como o motor emocional que humaniza a grandiosidade estatística da tragédia.
Um dos pilares do roteiro é a busca por liberdade. Rose não é apenas uma donzela em perigo; ela é uma mulher intelectualmente sufocada por um sistema patriarcal e por um noivado de conveniência com Cal Hockley. Jack surge não apenas como um interesse amoroso, mas como um símbolo de autonomia. Através dele, Cameron estabelece uma dura crítica à sociedade de Classes: enquanto a elite é retratada como rígida, obcecada por aparências e arrogante em sua crença de que o dinheiro poderia comprar a segurança, a terceira classe é apresentada com uma vitalidade pulsante, unida pela esperança e pela sobrevivência.
O romance entre os protagonistas é a força que desafia as convenções. O amor transformador permite que Rose rompa com sua linhagem e mude sua trajetória de vida. Jack ensina Rose a “a viver intensamente cada dia”, uma filosofia que ela carrega consigo décadas após a morte dele. A química entre os personagens serve para destacar que, diante da morte iminente, as distinções de classe tornam-se irrelevantes, restando apenas a essência dos laços humanos.
A segunda metade do filme é uma aula de cinema de catástrofe, onde a tragédia e a perda assumem o protagonismo. O naufrágio é a representação visual da queda do orgulho humano perante a natureza. Contudo, o filme encerra reforçando a Importância da Memória. Ao jogar o “colar” de volta ao mar, Rose sinaliza que o valor da história não reside em joias ou artefatos materiais, mas nas experiências vividas e nas lições transmitidas. O filme imortaliza o Titanic não apenas como um desastre de engenharia, mas como um cemitério de sonhos e aventuras interrompidos, garantindo que o sacrifício de Jack e de tantos outros não seja esquecido pelo tempo.
Ficha Técnica
- Título Original: Titanic
- Direção: James Cameron
- Roteiro: James Cameron
- Elenco:
- Leonardo DiCaprio como Jack Dawson
- Kate Winslet como Rose DeWitt Bukater
- Billy Zane como Cal Hockley
- Kathy Bates como Molly Brown
- Frances Fisher como Ruth DeWitt Bukater
- Gênero: Romance, Drama, Desastre
- Duração: 195 minutos (3 horas e 15 minutos)
- País de Origem: Estados Unidos
- Idioma: Inglês
- Orçamento: US$ 200 milhões
- Estreia: 19 de dezembro de 1997 (Estados Unidos)
- Distribuidora: Paramount Pictures e 20th Century Fox.
- Prêmios: 11 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor