HQ | O FANTASMA : 90 ANOS DO ESPÍRITO QUE ANDA

Adilson Santos

A história do Fantasma completa hoje 90.anos. Embora o personagem tenha perdido muito sua popularidade de outrora, ainda conta com um séquito fiel de leitores que o acompanha nas republicações que ainda chegam ao país. Lamentável que estas sejam pálidas se comparadas ao período em que o herói mascarado contava com mais de 62 milhões de leitores no mundo. Publicada pela primeira vez no dia 17 de fevereiro de 1936 no The American Journal, com o história intitulada Os piratas Singh, o Fantasma era mais um herói das histórias em quadrinhos americanas, que tiveram no final da década de 30 e inicio da de 40 o seu período áureo. Criado por Lee Falk, também pai do mágico Mandrake, e desenhada inicialmente por Ray Moore, o Fantasma apareceu nas primeiras tiras já envolvido pelo mistério que o acompanha até hoje. Foi o primeiro personagem dos quadrinhos a usar uniforme e máscara e se tornou uma lenda iniciada há 400 anos no fictício Golfo de Bengala, na costa da África. Tudo começa quando o navio de Sir Richard Staton, então um menino que viajava com o pai, é atacado pelos piratas Singh. Após uma tempestade, que destrói tanto o barco dos piratas chineses quanto o dos ingleses, o menino vai parar numa praia, onde é recolhido pelos pigmeus da tribo Bandar. O menino jura combater toda a pirataria e crueldade do mundo, incluindo seus descendentes, cada um substituindo o anterior trajando o mesmo uniforme e máscara, criando assim a ilusão de que o herói é imortal. Somente os pigmeus de Bandar sabem da verdade. Nas histórias originais, Kit Walker é o 21º Fantasma, cercado sempre de aliados em sua luta contra o mal. Entre os coadjuvantes estão o lobo Capeto, o cavalo Herói, o velho Mozz, um contador de histórias e guardião da tradição dos Bandar, Guran, o temido líder dos pigmeus, e a Patrulha da Selva, cujo comandante misterioso é o próprio Fantasma. Com vários esconderijos secretos, sua residência oficial é a Caverna da Caveira, onde nasceram e estão enterrados todos os Fantasmas, que o antecederam, além de uma sala de tesouros onde se encontram, por exemplo, objetos históricos inestimáveis como Excalibur, a espada do Rei Arthur, a lira de Homero, a taça de diamante de Alexandre – O Grande e até a víbora que picou Clèópatra. Claro que todo herói tem seu interesse amoroso e com o Espírito que Anda não seria diferente. Sua amada se chama Diana Palmer, a princípio uma mulher da sociedade que conhecera Kit Walker quando jovem, antes dele assumir sua herança heróica. Anos depois salva de malfeitores por Kit, já como Fantasma, estes se beijam e se apaixonam já na primeira história. O namoro durou décadas, e Diana foi transformada mais tarde em uma feminista, funcionária da ONU envolvida em causas humanitárias. Em 12 de dezembro de 1977, Fantasma e Diana se casam em uma luxuosa edição publicada pela RGE, editora carioca que foi o lar do herói desde março de 1953. A RGE deu um título próprio para o Fantasma, que chegou ao Brasil pela primeira vez em 1937 pelo Globo Juvenil, que publicava vários personagens em quadrinhos em um mix de histórias. Na RGE o Fantasma reinou absoluto fosse marcando o rosto de seus inimigos com a marca da caveira ou imprimindo em seus protegidos a marca do bem. O herói teve revista mensal, almanaques, superalmanaques, hiper-almanaques, edições especiais e o título Arquivos Secretos do Fantasma, que misturava hqs com artigos de curiosidades históricas e científicas. Em 1979, surgiram os gêmeos Kit e Heloísa, filho do herói com Diana. O personagem evoluia, crescia com seus leitores que ainda acompanhavam suas histórias em tiras diárias no jornal O Globo e aos domingos no Globinho Colorido. Acompanhe aqui no CinemaComPoesia mais matérias comemorando os 90 anos de luta pela justiça do Fantasma, as histórias mais marcantes e as adaptações para cinema e TV. Acredite, ainda precisamos de herois como o Fantasma, pois o mal não descansa, e nem deve a Justiça, velho ditado da selva !!!!

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