André Azenha

Nos anos 1960, o cinema britânico passou a mirar a classe operária. Foi nesse ambiente que surgiu Ao Mestre, com Carinho (To Sir With Love, 1967), dirigido por James Clavell, adaptação do livro de E.R. Braithwaite, lançado em 1959: um engenheiro negro, imigrante da Guiana Britânica, incapaz de conseguir emprego na sua área em Londres, que aceita dar aulas numa escola pública do East End. Mark Thackeray (Sidney Poitier) assume uma turma indisciplinada. A escola é um microcosmo da Inglaterra daqueles anos, marcada por tensões raciais e mudanças culturais. Thackeray decide tratar os alunos feito adultos, método que muda o ambiente da sala. Poitier havia atuado em Um Raio de Luz (1950), Sementes da Violência (1955), Acorrentados (1958) e conquistado o Oscar por Uma Voz nas Sombras (1963) — a primeira pessoa negra a ganhar uma categoria principal de atuação, décadas após Hattie McDaniel ter vencido o Oscar por …E o Vento Levou (1940). Ainda em 1967, estrelou Adivinhe Quem Vem para Jantar? e No Calor da Noite. A indústria, porém, o enquadrava em personagens moralmente exemplares, que não soavam ameaçadores, como lembra Mark Harris no livro Cenas de Uma Revolução. Isso fez o diretor tirar do filme o relacionamento interracial presente no livro, o que deixaria o autor da obra original indignado. Entre os jovens do elenco estava Lulu, cuja música To Sir With Love liderou as paradas por cinco semanas e tornou-se o single mais vendido de 1967 nos EUA, ano de Sgt. Pepper’s, obra prima dos Beatles. Orçado em 640 mil dólares, o filme arrecadou mais de 40 milhões. O êxito transformou a obra em referência: professor desacreditado, turma hostil, confronto inicial, respeito mútuo. O formato reaparece em Meu Mestre, Minha Vida, Escola de Rock, O Triunfo, Escritores da Liberdade e O Grande Desafio. Quase três décadas depois, veio a continuação: Ao Mestre Com Carinho 2 (To Sir, With Love II, 1996), dirigida por Peter Bogdanovich. O impacto cultural,