André Azenha

Os Sete Samurais (1954) é uma das obras mais influentes e celebradas na história do cinema: aparece repetidas vezes em levantamentos do Rotten Tomatoes, na pesquisa Sight & Sound do BFI e no ranking internacional da BBC de 2018, que o elegeu o título estrangeiro mais relevante já realizado. Além do prestígio crítico, tornou-se o maior sucesso de bilheteria japonês à época, gerou inclusive máquinas de pachinko que ultrapassaram 94 mil unidades vendidas, arrecadando cerca de 470 milhões de dólares. Elementos narrativos e visuais deste clássico dirigido por Akira Kurosawa reaparecem em franquias variadas. O universo de Guerra nas Estrelas absorveu diretamente várias ideias do filme; Rogue One, episódios de The Clone Wars, capítulos de The Mandalorian e até Star Trek Enterprise dialogam com o modelo narrativo inaugurado pelo cineasta japonês. Essa estrutura — agrupar indivíduos de diferentes origens, pensamentos e estilos para cumprir uma missão — tornou-se uma fórmula repetida: Liga da Justiça, Vingadores, O Resgate do Soldado Ryan, Os Doze Condenados, Os Mercenários, Esquadrão Classe A e The Walking Dead bebem dessa fonte. O domínio estético de Kurosawa explica por que tantas produções posteriores se inspiraram no filme: utilizava composições amplas, movimentos fluidos da câmera e profundidade de campo que permitia observar ações simultâneas. Essa abordagem ecoa em nas filmografias de Spielberg, Lucas, Scorsese e Tarantino. Títulos contemporâneos, entre eles Mad Max Estrada da Fúria, O Senhor dos Anéis As Duas Torres, Matrix Revolutions e diversas produções da Marvel, apresentam soluções visuais derivadas do estilo kurosawiano. O emprego simbólico da chuva, especialmente nas sequências de tensão, reverbera de maneira marcante em Blade Runner.