Adilson Santos

É bem difícil em qualquer gênero de filmes tentar fazer algo original, em uma Hollywood que parece ter medo de ideias novas. Investe-se muito quando se tem certeza de retorno rápido, do contrário recicla-se o que já é canônico para contar uma história, que pelo menos possa justificar o tempo de tela assistindo. No caso de A Astronauta (The Astronaut, 2025), a roteirista e diretora Jesse Varley, em seu primeiro trabalho autoral, vinda de curtas. O projeto estava sendo desenvolvido desde 2023, inicialmente com Emma Roberts no papel principal, antes de Kate Mara substituí-la. A história começa com o resgaste da astronauta Sam Walker, cujo foguete retorna à terra sendo imediatamente posta em quarentena até que as investigações do Pentágono concluam o que houve com a viagem de volta. Seu pai adotivo, o General William Harris (Lawrence Fishburne) parece saber mais do que diz, mas se mostra atencioso, principalmente com a pequena Izzy (Scarlett Holmes), filha do casal Sam e Mark (Gabriel Luna). O que poderia ser um drama sobre a vida familiar de uma astronauta, tal qual uma versão feminina da canção Rocket Man, de Elton John, se torna um filme de terror quando tudo indica que uma forma de vida alienígena veio junto com Sam para a Terra, e está perseguindo-a enquanto esta se recupera dos traumas da viagem em uma casa isolada da cidade. O que se segue a principio faz parecer uma mera paranoia até que eventos em paralelo mostram que de fato algo está cercando a casa, atrás de Sam. O suspense desenvolvido por Varley é eficiente, principalmente quando o corpo de Sam parece sofrer misteriosas mutações. Em dado momento parece que estamos diante de uma variação de Alien (1979) e depois até mesmo E.T (1982), seguindo o manual das últimas produções de Hollywood que parecem estar viciadas em um plot-twist. O elenco com destaque para Mara, e o sempre eficiente Fishburne se sobressaem embora não exista muito para o personagem de Gabriel Luna. Enfim o filme entrega uma ficção cientifica mediana, sem muito impacto apesar da visível boa intenção de Jess Varley de mais uma vez explorar o clichê de que “não estamos sozinhos“.