ENSAIO | QUATRO NOIVAS DE FRANKENSTEIN

Adilson Carvalho

A Noiva de Frankenstein (The Bride of Frankenstein, 1935). Sequência do grande sucesso de 1931, a Universal trouxe James Whale de volta aproveitando outras partes do noivo de Mary Shelly que não haviam sido aproveitadas no primeiro filme, e acrescentando novos elementos. Na história, Barão Henry Frankenstein (Colin Clive) e seu monstro (Boris Karloff)  acabam por estar vivos, e não mortos como se acreditava anteriormente. Frankenstein quer abandonar o negócio das experiências malignas, mas quando o cientista louco Dr. Pretorius (Ernest Thesiger) sequestra sua esposa (Valerie Hobson), Frankenstein concorda em ajudá-lo a criar uma nova criatura, uma mulher (Elsa Lanchester) , para ser a companheira do monstro. Boris Karloff protestou contra a decisão de fazer o Monstro falar, mas foi ignorado. Como ele precisava falar neste filme, Karloff não pôde remover sua ponte dentária parcial, como havia feito para ajudar a dar ao Monstro sua aparência de bochechas encovadas no primeiro Frankenstein (1931). É por isso que o Monstro parece ter o rosto mais cheio na sequência. Elsa Lanchester nunca recebe créditos na tela como “A Noiva”. A personagem é listada como sendo interpretada por “?”. Para seu papel como noiva, Elsa Lanchester, com 1,60 m de altura, foi colocada em palafitas que a deixavam com 2,10 m de altura. As bandagens eram tão apertadas que ela não conseguia se mover. Ela precisava ser carregada pelo estúdio e alimentada com um canudo. De acordo com a atriz,  a maquiagem da Noiva levou três horas, e a de Boris Karloff levou cinco. Esse segundo filme consegue ser ainda melhor que o primeiro, e seria seguido por O Filho de Frankenstein (1939).

E Frankenstein Criou a Mulher (And Frankenstein Created the Woman, 1967). O Barão Frankenstein (Peter Cushing) é morto e congelado, é reanimado pelo seu colega, o Dr. Hertz (Thorley Walters) , provando-lhe que a alma não abandona o corpo no momento da morte. Seu assistente de laboratório, o jovem Hans (Robert Morris), é considerado culpado pelo assassinato do dono do bar local, com quem ele teve uma discussão e jurou tolamente matar o homem. Frankenstein adquire seu corpo imediatamente após a execução. Hans era bastante amigo da filha do homem morto, Christina (Susan Denberg), que retorna a tempo de vê-lo ser guilhotinado. Desolada, ela comete suicídio e é trazida de volta à vida pelo bom doutor, mas com o cérebro de Hans substituindo o seu. À medida que as memórias voltam a ela — na verdade, as memórias de Hans —, ela decide perseguir e matar os responsáveis por terem enviado ele à morte. Dirigido por Terence Fisher, que recriou os monstros clássicos para a Hammer Films, Frankenstein Criou a Mulher foi originalmente concebido como uma sequência de A Vingança de Frankenstein (Revenge of Frankenstein) durante sua produção em 1958, numa época em que E Deus Criou a Mulher (Et Dieu créa la femme) de Roger Vadim, fazia sucesso, e por isso o filme foi assim batizado.  Tornou-se um dos filmes favoritos de Martin Scorcese, e o primeiro que se afastou da pseudo ciência de Mary Shelley preferindo usar um plot mais ligado ao sobrenatural, já que o espírito de Christina parece estar guiando as ações.

A Prometida (The Bride, 1985). Feito para comemorar os 50 anos do filme de James Whale, o filme traz o cantor Sting como o Barão Frankenstein e Jennifer Beals, de Flashdance (1983) como Eva, a noiva. Clancy Brown, o vilão de Highlander (1985), faz o papel do monstro. O diretor Franc Roddan deu ao filme uma abordagem feminista ao mostrar como Eva se desenvolve.

Pobres Criaturas (Poor Creatures, 2024). O celebrado filme de Yorgos Lathimos é praticamente uma readaptação do livro de Mary Shelley com Emma Stone brilhando na tela como Bella, a jovem suicida trazida de volta à vida pelo Dr. Baxter (William Dafoe) . Ao descrever sua caracterização de Bella, Emma Stone se sentiu atraída pela ideia de retratar uma mulher renascida com uma mentalidade liberada, livre das pressões sociais: “ É como um conto de fadas e uma metáfora — claramente, isso não pode acontecer na vida real —, mas a ideia de que você poderia recomeçar como mulher, com esse corpo já formado, e ver tudo pela primeira vez e tentar entender a natureza da sexualidade, do poder, do dinheiro ou da escolha, a capacidade de fazer escolhas e viver de acordo com suas próprias regras e não as da sociedade — achei que era um mundo realmente fascinante para se entrar.”

Deixe um comentário