Adilson Santos

Sou da geração alimentada pelos filmes de ação oitentistas. Estes gozavam perante o público do mesmo prestígio que os filmes de super herói. Enquanto hoje alguns preferem a DC e outros a Marvel, em 1985 tínhamos de um lado Sylvester Stallone e de outro Arnold Schwarzenegger. Comparar era inevitável e gostar de ambos era o que fazíamos, à medida que a indústria cinematográfica da época explorava monetariamente o irresistível charme dos brucutus que perpetuavam a alcunha de “exército de um homem só“. Enquanto Rambo ostentava uma óbvia veleidade política da era Reagan, Comando Para Matar abraçava a ação desenfreada e a inverossimilhança de uma história em quadrinhos. Curiosamente, o roteiro teve participação de Jeph Loeb (futuro autor de hqs para a DC e Marvel), junto de Mathew Weiseman e Steven E. de Souza. A ideia inicial era fazer uma adaptação das aventuras do Sargento Rock, da DC Comics. Não se concretizando, adaptaram o material para o truculento Coronel John Matrix, (Schwarzenegger) ex-operativo das forças especiais que depois de aposentado é obrigado a voltar à ação. O motivo é o sequestro de sua filha Jenny (Alyssa Milano) por Bennet (Vernon Wells), seu ex-colega de pelotão que agora trabalha para um General deposto da ilha fictícia de Val Verde. A missão, que senão assumida levará à morte de sua filha, é matar o atual presidente de Val Verde, um golpe de estado tramado meticulosamente tramado. Matrix se rebela e foge conseguindo a ajuda involuntária da aeromoça Cindy (Rae Dawn Chong). A ação é ininterrupta e a massa de músculos austríaca, vindo do sucesso de O Exterminador do Futuro (1984), procura mostrar que além de herói indestrutível também é um pai amoroso. Por trás dos bastidores, Alyssa Milano, então com 12 anos, contou que nos bastidores Schwarzenegger a ajudava com trabalho de escola. O filme foi rodado em Los Angeles, com o Sherman Oaks Galleria na sequência do Shopping e a cena final em propriedade que pertencia ao comediante Harold Lloyd. Dirigido por Mark L. Lester, o filme foi um dos campeões de bilheteria do ano e, devido às inevitáveis comparações com Rambo, serviu de marco inicial de uma rivalidade entre os astros Stallone e Schwazenegger como herói indestrutível, cujo comando real era para a diversão. O filme, infelizmente, não está disponível para streaming em nenhuma plataforma do Brasil.