Adilson Santos

Existe um ditado que diz “Em terra de cego quem tem olho é Rei”. Não que o badalado filme de Paul Thomas Anderson não tenha mérito real, mas que a simplicidade de sua história impressiona pela coragem de falar de temas que passam pela garganta adentro da América fascista da era Trump. Supremacia branca, racismo, marginalização do imigrante, restrição de liberdade são todos temas desenvolvidos no filme. O diretor e roteirista decide enveredar por uma narrativa fragmentada e lenta sem glamorizar os rebeldes da French 75, que desafiam o governo totalitário que rege o país. Estes são humanos, sentem medo, tem dúvidas misturados ao inconformismo que os leva a pegar em armas e a viver pela causa. Quando nasce a filha de Bob (Leonardo DiCaprio) e Perdidia (Teyana Taylor) ele prefere abandonar os dias de luta e ela decide continuar na luta. O tema familiar passa pela narrativa desenvolvendo um outro nível de conflito, principalmente quando o personagem de DiCaprio retoma a luta a procura de sua filha Willa (a estreante Chase Infiniti) caçada implacavelmente pelo impiedoso Coronel Lockjaw (um caricato Sean Penn). O filme desenvolve bem os níveis de cada batalha externa e interna mas termina súbito demais. Leonardo DiCaprio entrega uma ótima atuação mas não a melhor de sua carreira, ficando bem abaixo do que o ator ja mostrou em O Lobo de Wall Street (2013) e Os Infiltrados (2006). Paul Thomas Anderson entrega um filme carregado de crítica social, de audácia em apontar o dedo na ferida aberta de uma América que parece não mais existir. Um filme de mensagem maior que a história em si, mas que vem na hora certa.

O Oscar 2026 será domingo, dia 15 de março de 2026, pela HBOMAX.