GALERIA DE ESTRELAS | CENTENÁRIO DE JERRY LEWIS

Adilson Santos

Comediante, roteirista, produtor, diretor e cantor norte-americano, Jerry Lewis tornou-se famoso por suas comédias estilo pastelão, e pelo sucesso nos palcos, além de seu programa beneficente anual, o Jerry Lewis MDA Telethon, com o objetivo de ajudar crianças com distrofia muscular. Lewis ganhou vários prêmios honorários, incluindo o Jean Hersholt Humanitarian Award, considerado o “Oscar Humanitário”. Hoje Lewis estaria completando 100 anos, de uma carreira brilhante, incluindo como inventor do vídeo assist system, que possibilita maior visibilidade como ator e diretor ao mesmo tempo, durante a gravação de um filme. Jerry foi o Rei da Sessão da Tarde durante os anos 70 e 80, animando gerações com seu humor careteiro, mas sensível, uma referência incluindo para outros artistas como Jim Carrey e Leandro Hassum. No Brasil, as vozes de Nelson Batista e Marcos Miranda marcaram a memória afetiva dos que acompanharam vários dos filmes da dupla.

Joseph Levitch nasceu em Newark, Nova Jersey, numa família de judeus russos. Seu pai, Daniel Levitch, era mestre de Cerimônias e ator de vaudeville, usava o nome Danny Lewis como nome artístico. Sua mãe, Rachel “Rae” Brodsky, era pianista de uma rádio. Lewis começou a atuar aos cinco anos, e aos quinze tinha descoberto o seu talento, em que consistia em dublar canções em um fonógrafo. Primeiramente, ele iria usar como nome artístico o nome “Joey Lewis”, mas depois acabou mudando para “Jerry Lewis” para evitar confusões com outro comediante, Joe E. Lewis, e com o do campeão de boxe, Joe Louis. Jerry começou a fazer sucesso nos palcos ao lado de Dean Martin, e ambos incorporaram aos filmes os papeis que encenavam ao vivo, sendo Dean o galã conquistador e Jerry o crianção atrapalhado. Ao todo foram 16 filmes juntos como Artistas & Modelos (1954), O Meninão (1955), O Rei do Laço (1956) e Ou Vai Ou Racha (1956). Dean Martin e Jerry Lewis continuaram a fazer sucesso em suas respectivas carreiras solo, mas ao passar dos anos, nenhum deles comentava sobre os motivos da desintegração da dupla ou que queriam uma reunião. A última vez que os dois seriam vistos juntos em público foi em 1976, no programa beneficente de Lewis, o Jerry Lewis MDA Telethon. A reunião foi feita de surpresa, planejada por Frank Sinatra. Lewis continuou na Paramount e se tornou um astro de primeira grandeza com o seu primeiro filme solo, O Deliquente Delicado (The Delicate Delinquent), de 1957. Também manteve uma parceria com o diretor Frank Tashlin, que trabalhava com a série de desenhos Looney Tunes da Warner. Lewis partiu para um novo tipo de comédia nos filmes de Tashlin. Seguido por Bancando A Ama Seca (Rock-a-Bye Baby) e O Rei dos Mágicos (The Geisha Boy), produzidos por Hal B. Wallis, não agradou a Lewis em relação a comédia, pois não fazia o seu tipo. Em 1960, Lewis terminou seu contrato com Wallis com o filme Rabo de Foguete (Visit to a Small Planet), e partiu para a produção com o filme Cinderfella, lançado no Natal de 1960, a pedido do próprio Lewis.

A Paramount, querendo um filme para o mês de julho de qualquer jeito, mandou Lewis fazer mais um filme. Foi aí que Lewis estreou na direção com O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy). Esse filme teve o Fontainebleu Hotel de Miami como cenário, pouco orçamento, curto ou quase nenhum roteiro e gravação feita às pressas, com Lewis trabalhando com o filme de dia e fazendo suas apresentações por lá mesmo à noite. Bill Richmond o ajudou com o roteiro e durante as filmagens, Lewis usou a técnica em usar câmeras e circuitos monitores, o que ajudava em poder rever a suas cenas após de terem sido gravadas. Depois vieram sucessos como O Terror das Mulheres (The Ladies Man), Moçinho Encrenqueiro (The Errand Boy) de 1961, O Otário (The Patsy) de 1964 e O Professor Aloprado (The Nutty Professor) de 1963, o qual ganhou uma refilmagem protagonizada por Eddie Murphy em 1996. Em 1968, Lewis estrelou e dirigiu The Day the Clown Cried, um drama sobre um campo de concentração Nazista, em 1972, que não chegou a ser lançado. Lewis raramente comentava sobre a experiência de fazer esse filme, mas só uma vez disse o porquê de ter desistido dele, que seria razões financeiras na pós-produção. Mas no livro Dean & Me, contou que o real motivo foi o fato de não ter ficado satisfeito com o resultado. Em 2009, Lewis foi ao Festival de Cannes para anunciar o seu retorno como protagonista após 13 anos com o filme Max Rose, seu primeiro como protagonista desde o excelente O Rei da Comédia (The King of Comedy) de 1983, dirigido por Martin Scorcese. Em 2013, teve uma participação no filme brasileiro Até que a Sorte nos Separe 2, com Leandro Hassum e Camila Morgado, onde Jerry Lewis fazia o papel de camareiro. O ator morreu na manhã do dia 20 de agosto de 2017 em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos, devido a uma doença cardíaca em estágio terminal. Durante esta semana revisitaremos vários dos clássicos de Jerry Lewis. Acompanhe.

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