NUREMBERG |  DOIS FILMES DIFERENTES PARA O MESMO FATO

Adilson Santos

Estreia nesta próxima quinta (26/03) o drama Nuremberg, baseado no livro O Nazista e o Psiquiatra (The Nazi and the Psychiatrist), de Jack El-Ha, que retrata os bastidores do tribunal de Nuremberg, que julgou os criminosos de guerra nazistas após o fim da Segunda Guerra. O filme, dirigido por James Vanderbilt, gira em torno do duelo psicológico entre o psiquiatra americano Douglas Kelley (Rami Malek) e o líder nazista Hermann Göring (Russell Crowe). Embora muitos ainda lembrem do excelente Julgamento em Nuremberg (Nuremberg) de 1961, dirigido por Stanley Donen, ambos os filmes são bem diferentes e apesar de fazerem um mesmo recorte histórico, não se trata de uma refilmagem. O filme de Donen trazia um elenco de estrelas reunindo em cena Judy Garland, Burt Lancaster, Maximilian Schell, Richard Widemark, Spencer Tracy, Marlene Dietrich, William Shatner, Montgomery Cliff entre outros. Aqui, no entanto, o foco da história é nos debates jurídicos e na consciência dos juízes à medida que interrogam réus, vítimas e testemunhas das atrocidades cometidas na guerra. O roteiro original de Abby Mann, premiado com o Oscar, foi muito elogiado na época pela precisão histórica com a qual abordou a discussão entre cumprimento do dever e moralidade com elogios ao elenco all star, em especial Spencer Tracy e Maximilian Schell. Este ganhou o Oscar de Melhor ator, em papel cobiçado por Marlon Brando. Quando este filme foi concluído, todos os homens que haviam sido condenados e presos nos julgamentos de Nuremberg, realizados na Zona Americana;, já haviam,  no entanto,  sido libertados.

O novo filme nos leva de volta ao mesmo fato histórico mas com uma abordagem diferente, centrada na oposição entre dois personagens:  Hermann Göring, vivido por Russell Crowe, que tinha 53 anos durante seu julgamento, 8 anos mais novo que Russell Crowe, que o interpreta neste filme. Já o psiquiatra Dr. Douglas Kelly, persinagem de Rami Malek, tambem existiu e foi o psiquiatra  psiquiatra-chefe na Prisão de Nuremberg após a Segunda Guerra Mundial, encarregado de avaliar a sanidade dos líderes nazistas.  Kelley, através de análise qu incluiu o teste de Rorschach, concluiu que os nazistas eram “normais” e não loucos. Seu trabalho determinou a natureza do mal não como uma insanidade mas como uma característica humana. O filme de Vanderbilt trata desse confronto entre os dois personagens em um drama que vai alem do clássico filme de tribunal.

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