Adilson Santos

Muitos personagens de hqs que fizeram sucesso no passado deixaram sua marca na memória dos aficionados do gênero mas infelizmente estão esquecidos pelo público em geral apesar de ainda manterem um forte apelo que aguarda para ser redescoberto. O detetive Nick Holmes (Rip Kirby) é um desses ícones da banda desenhada que marcou a infância de uma geração nas tiras de jornais e revistas em quadrinhos durante decadas. O personagem vem de uma longa linhagem de detetives iniciada na literatura de nomes como Conan Doyle, Agatha Christie e Dashiel Hammet. Suas histórias começaram em 4 de marco de 1946, pouco depois de seu criador Alex Raymond voltar da guerra tendo servido como fuzileiro nas batalhas do Pacífico. Antes do conflito, Raymond havia criado Flash Gordon, Jim das Seixas e Agente Secreto X-9. Sua última criação antes de morrer em um acidente de carro em 1956, Nick Holmes teve colaboração do editor Ward Greene, embora este não tenha sido creditado na época. O nome original do personagem, no entanto é Rip Kirby, renomeado no Brasil para Nick Holmes aproveitando o sobrenome do maior herói do gênero.

Além de ex-militar, Nick Holmes não fazia o tipo comum do detetive particular, usando frequentemente roupas a rigor e óculos. Tinha o charme de um James Bond intelectual com um mordomo extremamente magro, e ex-ladrão chamado Desmond (conhecido como Duarte no Brasil), o qual lhe dava aulas de golfe. Também diferente dos demais, Holmes tinha uma namorada fixa, a famosa modelo Honey Dorian. No Brasil, A sua primeira aparição no Brasil foi em 1947, em O Globo Juvenil (Tri-Semanal), onde era publicado às terças e sábados. Seu primeiro título regular foi publicada na pela RGE a partir de janeiro de 1955 com a história intitulada The Great You, originalmente publicada na tira dominical #18 (1946). Nela, Nick, a pedido de Honey, enfrenta um místico picareta e chantagista. Com periodicidade irregular (mensal, bimestral ou trimestral) a revista da RGE foi publicada até novembro de 1968 com um total de 52 edições, além de duas edições especiais, uma em 1962 e outra em 1963. A RGE foi assim a casa do herói no Brasil até então, depois sendo publicada pela Editora Trieste que publicou Nick Holmes em 6 edições entre março e agosto de 1972 começando com uma aventura passada no Brasil reproduzindo a tira dominical #85 de 1958, e só na edição #4 (Junho de 1972) veio o primeiro caso do personagem intitulado The Chip Faraday Murder (março de 1946), republicado em Gibi Semanal #29 da RGE (Maio de 1975). Anos mais tarde, o personagem ganharia duas edições especiais pela editora Abril, a primeira Nick Holmes #1 (fevereiro de 1979) compilando as tiras da década de 70 já a cargo de Fred Dickenson (roteiro) e John Prentice (desenhos), que assumiram o personagem depois das mortes de Raymond e Greene. No segundo volume Nick Holmes #2 (abril de 1979) a Abril decidiu republicar as tiras dos anos 50. Quando Dickenson se afastou por problemas de saúde, John Prentice assumiu roteiros e desenhos até sua morte encerrando as aventuras do detetive na 139° história publicada em junho de 1999. O personagem ainda integrava as tiras diárias do Globo durante as décadas de 70 e 80. Deixou saudades para quem leu, e bem poderia ser trazido de volta pois o apelo está lá, aguardando para despertar um dia quem sabe uma nova legião de fãs.