Releitura dos artigos publicados no site da extinta Rádio Vintage
Sérgio Cortêz
Memória Rádio Vintage: O Cinema Drive-In

Fato é que futuras gerações poderão desconhecer a liberdade de assistir um filme com o conforto proporcionado pelo próprio automóvel, estacionado em um cinema drive-in. Com sua tela gigantesca, o drive-in oferece a possibilidade de comentar o filme sem qualquer culpa, de poder fumar sem ser perseguido e até namorar ou algo mais no banco de trás do carro. A despeito de tais vantagens, tornou-se uma modalidade de entretenimento em declínio, já que muitos cinemas drive-in encerraram suas atividades pelos mais variados motivos.
Criado na cidade de Nova Jersey em 1933, o primeiro drive-in agradou tanto que, sete anos depois, já existiam cerca de 1.500 espaços do gênero espalhados pelos Estados Unidos. No Brasil, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, muitas de nossas cidades dispunham dessa modalidade de entretenimento, com regras similares e bem conhecidas: faróis baixos para fazer um pedido à garçonete, pisca-alerta para indicar que está com problemas e caixinha de som na janela do automóvel para escutar bem o filme – embora, dependendo do drive-in, fosse possível sintonizar o áudio da película no rádio FM do carro.
Dos cinemas que marcaram época, resta apenas o Cine Drive-In de Brasília. No Rio de Janeiro, o Cine Drive-In da Lagoa fechou há tempos, enquanto o Ilha Auto Cine, na Ilha do Governador, deixou de funcionar em 2007, Já em São Paulo, os clássicos Auto Cine Snob’s e Auto Cine Chaparral encerraram suas atividades e viraram saudade. Trancafiados em nossos lares por nossos medos e fobias, assistimos o agonizar de uma agradável forma de cinema, enquanto o pisca-alerta de nossa sociedade sinaliza que o maior dos problemas não está no formato da arte, mas sim nos comodismos e temores que carregamos em nós mesmos.
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