Adilson Santos

Michael, a história da ascensão de Michael Jackson ao estrelato, deveria começar com um dos capítulos mais sombrios da vida do cantor. Em uma cena do roteiro original do filme, o Rei do Pop contempla seu reflexo no espelho, capturando seu olhar triste enquanto as luzes dos carros da polícia piscam atrás dele. Estamos em 1993, uma década depois que Thriller conquistou a cultura, e Jackson acaba de ser acusado de abuso sexual infantil. Mas a sequência em que os investigadores chegam ao Rancho Neverland para procurar provas é uma das muitas que ficaram de fora na edição final. Michael, que a Lionsgate lançará nos Estados Unidos em 24 de abril, deveria explorar o impacto das acusações na vida de Jackson, com grande parte do terceiro ato dedicado ao escândalo. Mas esse final foi descartado, juntamente com qualquer menção às acusações de abuso sexual infantil, de acordo com fontes com conhecimento da produção. Isso aconteceu depois que os advogados do espólio de Jackson, que atuou como produtor, perceberam que havia uma cláusula no acordo com um dos acusadores do cantor, Jordan Chandler, que proibia a representação ou menção a ele em qualquer filme. Após a descoberta em fase avançada, os cineastas voltaram à prancheta para criar um novo final. O processo sofreu um novo atraso depois que a casa do roteirista John Logan foi danificada pelo incêndio de Palisades. Como resultado, Michael, cuja estreia nos cinemas estava prevista para 18 de abril de 2025, foi adiado para 3 de outubro, antes de ser transferido pela última vez para a primavera americana de 2026, chegando aos cinemas brasileiros em 25 de abril.