BASTIDORES | LOU FERRIGNO, O HULK CLÁSSICO DA TV, CRITICOU A MULHER MARAVILHA DE LYNDA CARTER

Adilson Santos

Ninguém duvida que O Incrível Hulk (The Incredible Hulk), produzido entre 1977 e 1982, e Mulher Maravilha (Wonder Woman), produzida entre 1975 e 1979, estão entre as séries de super-herói mais bem sucedidas do período, muito antes que o gênero alcançasse o status de prestígio que vem tendo nas telas. As séries eram bem diferentes entre si, embora originárias de quadrinhos de heróis. A série da heroína da DC Comics era uma série de super-heróis divertida, colorida e, às vezes, barulhenta, na qual a gentil Diana Prince (Lynda Carter) transformava-se na super-heroína do título e lutava contra os malfeitores. A série da Marvel, por outro lado, era uma série comparativamente melancólica sobre o Dr. David Banner (Bill Bixby), um fugitivo que fazia justiça enquanto viajava de carona pelos Estados Unidos. Quando ficava com raiva, porém, Banner se transformava no monstro de pele verde que dá nome à série, interpretado pelo fisiculturista Lou Ferrigno. Na época, Ferrigno enfrentou um sério risco de infecção para se tornar o rosto de Hulk e, até hoje, ainda aparece em convenções de super-heróis para vender produtos e fotos. Mas, apesar de fazer parte da crescente onda de mídia de super-heróis dos anos 70, ele não enxergava valor na série da editora concorrente, como mostram suas palavras retiradas de uma entrevista à revista Starlog em 1979, Ferrigno admitiu que não gostava da série estrelada por Lynda Carter, achando que era tudo estilo e nada de substância. “Não há nada ali […] Nada para mostrar além de um ‘corpo bonito’, e só isso. Você nunca tem a chance de descobrir nada sobre a pessoa. Que chatice! Não consigo entender por que esse programa ficou no ar por tanto tempo. […] Nós somos os melhores de todos; [o produtor] Kenny Johnson e Bill Bixby são pessoas muito talentosas e criativas. É graças a pessoas como eles que temos o respeito tanto da crítica quanto do público.” Vale a pena mencionar que essa entrevista ocorreu em novembro de 1979, dois anos após o lançamento do documentário Pumping Iron, no qual Ferrigno aparece competindo contra um então jovem Arnold Schwarzenegger arrogante e confiante. Ferrigno é retratado como o azarão nesse filme e, embora não tenha derrotado seu rival, ambos se tornaram grandes estrelas do cinema e da televisão. Na verdade, O Incrível Hulk foi a vitória final de Ferrigno sobre seu adversário, já que ele superou Schwarzenegger na disputa pelo papel-título.

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