A CAMINHOI DO OSCAR VI: TUDO TODAS AS COISAS AO MESMO TEMPO

Por Adilson Carvalho

A consagração do filme de Daniel Scheinert e Daniel Kwan na noite do SAG Awards no último domingo (26/02) indica que a comunidade cinematográfica americana se mostra cada vez mais inclinada à diversidade e representatividade entre seus premiados, no caso se tratando de um filme quase que totalmente encenado por atores de origem asiática. A dupla de roteiristas e diretores recusou o convite da Marvel para dirigir a série Loki da Disney Plus para realizar esta aclamada aventura, misto de ação de artes marciais, comédia e drama que a principio seria estrelado por Jackie Chan, mas o roteiro foi modificado para ser centrado na figura de uma protagonista mukher, Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma mulher de meia-idade que emigrou da China, deixando os pais para trás para seguir o sonho americano com Waymond (Ke Huy Quan), seu marido. Nos Estados Unidos, o casal abriu uma lavanderia, por cima da qual vivem com a filha, Joy (Stephanie Hsu). Sozinha, Evelyn precisará salvar o mundo, explorando realidades alternativas e outras vidas que poderia ter vivido. Contudo, as coisas se complicam quando ela fica presa nessa infinidade de possibilidades sem conseguir retornar para casa, e ainda precisam enfrentar uma auditora fiscal (Jamie Lee Curtis) que a persegue implacavelmente.

A premissa é na verdade simples, mas conduzida de forma curiosa ao explorar o tema do multiverso, mais afeito à ficção científica e aos filmes de super heróis. O filme de Scheinert e Kwan é um amálgama de gêneros, consagrando o trabalho de seu elenco. Michelle Yeoh faz uma protagonista deslocada de seu lugar comum e que busca seu destino, uma jornada metafórica para muitas pessoas inseridas em vidas insatisfatórias. A movimentação de Yeoh em cena é graciosa como em um balé, e ela ainda tem ao seu lado o ótimo Ke Huy Quan, lembrado até hoje por seus papéis de criança em Indiana Jones & O Templo da Perdição (1984) e Goonies (1985). O ator passou os últimos 20 anos afastado dos grandes papeis, tendo trabalhado um longo período atrás das câmeras como assistente de direção, função que executou em O Confronto (2001), curiosamente um filme que também tratava de realidades paralelas. Outro achado do filme é a presença do veterano James Wong, aos 95 anos, que esteve presente em dezenas de filmes como as pérolas oitentistas O Rapto do Menino Dourado (1987) e Os Aventureiros do Bairro Proibido (1985). O papel de Jamie Lee Curtis também deve ser destacado, pela criativa decisão de fazer dela uma antagonista tão mortífera quanto Michael Myers em Halloween. O filme corre o risco, no entanto, de não ser bem compreendido em sua premissa, ou de ser confundido com um fita de ação convencional, mas merece a chance de ser experimentado como uma divertida reciclagem de gêneros, e sendo no tema proposto tudo o que Dr Estranho no Multiverso da Loucura (2022) não conseguiu ser. Vejamos o que o Oscar dirá no dia 12.

Um comentário

  1. É sempre muito interessante ler os comentários. Matamos algumas curiosidades e tomamos conhecimento de detalhes , aprendemos muito!
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