POLTRONA 3: CIDADE INVISÍVEL 2ª TEMPORADA

Por Adilson Carvalho

Carlos Saldanha merecia um prêmio por sua iniciativa em Cidade Invisível, cuja segunda temporada chegou à Netflix há uma semana. O roteiro é uma prova de que temos uma riqueza cultural muito mal explorada pelas produções midiáticas. Na primeira temporada que chegou em fevereiro de 2021, Marco Pigossi vive Eric, um detetive, atormentado pelas investigações de um assassinato, se envolve em uma batalha entre o mundo visível e um reino subterrâneo habitado por criaturas folclóricas como a Cuca (Alessandra Negrini), Saci (Wesley Guimarães), Iara (Camila Córes) e Curupira (Fábio Lago). As mortes misteriosas envolvem uma entidade maligna e ameaça até a vida de Luna (Manu Dieguez), a filha de Eric. Do ponto que a primeira temporada parou, somos transportados para o Pará, onde a segunda temporada aumenta o número de figuras lendárias com o acréscimo da Mula sem Cabeça (Simone Spoladore), Lobisomem (Tomás de França), Lazo (Mestre Sebá) e Matinta Perera (Leticia Spiller) roubando a cena em vários momentos. Mas o grande foco desta temporada é a relação de Inês / Cuca (Negrini) com a jovem Luna (Dieguez) e o retorno de Eric (Pigossi) transformado em algo que nem o próprio tem consciência, mas que pode decretar o fim de tudo. O problema dessa temporada é justamente o número reduzido de episódios, apenas cinco, não permitindo explorar melhor os mitos que protagonizam esse novo ciclo de histórias. Fica a impressão de um longa metragem com intenção de fazer um epilogo apressado para uma história ainda muito rica a explorar outros conceitos de nosso folclore. A própria condição de Eric ganha uma explicação muito rasa para uma importãncia dessa natureza na história. Atualmente, Cidade Invisível está no top 2 dos mais assistidos do streaming no Brasil, e seu sucesso internacional pode levar a uma terceira temporada já que é deixado um gancho para essa possibilidade. Fica a torçida para que não demore tanto quanto a segunda, chegando depois de um hiato de 2 anos, e que os roteiristas saibam tratar os símbolos folclóricos com maior profundidade, e assim ensinando os produtores que nossa história e cultura não precisa estar tão invisível quanto vem sendo.

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