Por Adilson Carvalho

Um dos maiores atores de sua geração, Dustin Hoffman recebeu vários prêmios em sua carreira, incluindo dois Oscars, seis Golden Globe Awards (incluindo o Cecil B. DeMille Award), quatro British Academy Film Awards, três Drama Desk Awards e dois Emmy Awards. Hoffman recebeu o AFI Life Achievement Award em 1999 e o Prêmio Kennedy em 2012. Entrou para o Livro Guinness dos Recordes Mundiais como “Maior Período de Idade Representado por um Ator de Cinema” por O Pequeno Grande Homem (1970), no qual representou uma personagem dos 17 aos 121 anos. A longevidade de seu persoangem pode ser comparada a sua longevidade artística, transitando por gêneros e sendo diferente a cada personagem. Hoje completando 87 anos. Vamos conferir algumas curiosidades de sua vida e carreira.

Durante as filmagens de Mera Coincidência (1997), Hoffman, o seu colega Robert De Niro e o realizador Barry Levinson tiveram um encontro improvisado com o Presidente Bill Clinton num hotel de Washington. “Então, sobre o que é que é este filme?” Clinton perguntou a De Niro. De Niro olhou para Levinson, esperando que ele respondesse à pergunta. Levinson, por sua vez, olhou para Hoffman. Hoffman, apercebendo-se de que não havia mais ninguém a quem passar a batata quente, é citado como tendo dito: “Então comecei a sapatear. Nem sequer me lembro do que disse”.
O seu desempenho como Raymond Babbitt em Rain Man (1988) está classificado em 88º lugar na lista das 100 Maiores Personagens de Filmes de Todos os Tempos da Premiere Magazine. Hoffman diz que impregnou o seu retrato com aspectos da personalidade de um paciente que conhecia desde os tempos em que trabalhava como auxiliar de enfermagem num centro psiquiátrico de Nova Iorque.
Participou em dois filmes sobre Peter Pan em Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991) e Em Busca da Terra do Nunca (2004). Depois da sua aparição em Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991), o amigo íntimo e antigo colega de quarto Gene Hackman começou a chamar-lhe “Hook” por brincadeira. O nome pegou e seus contemporâneos o chamam por esse apelido até hoje. Hackman e Dustin se conhecem desde 1958 quando estudaram na Pasadena Playhouse. Os dois chegaram a morar juntos em Nova Iorque, no apartamento de um quarto de Hackman na 2nd Ave. com a 26th St. Inicialmente, Hackman ofereceu-se para deixa-lo ficar algumas noites, mas Hoffman não quis sair. Hackman teve de o levar a procurar o seu próprio apartamento. Por fim, Hackman convenceu Hoffman a ficar com o seu amigo comum Robert Duvall e, em breve, os dois actores nascentes partilhavam um apartamento de 80 dólares por mês na W. 109th St. no Upper West Side de Manhattan. HOffman e Hackman demoraram a fazer um filme juntos, só acontecendo em O Júri (2003). A cena de ambos no banheiro nesse filme foi o primeiro diálogo deles em um mesmo filme. A cena não constava no roteiro e foi acrescentada quando alguém da equipe descobriu que os dois, apesar de serem amigos há 50 anos, nunca tinham protagonizado um filme juntos.

Dustin foi a primeuta escolha para o papel de Michael Corleone em O Poderoso Chefão (1972) mas recusou o papel. Contudo, ele sempre manifestou o desejo de desempenhar o papel principal em Gandhi (1982), mas foi-lhe oferecido Tootsie (1982) no mesmo ano e acabou por aceitar este último. Acabou por perder o Óscar nesse ano para Ben Kingsley, que interpretou Gandhi. O seu desempenho como Michael Dorsey/Dorothy Michaels em Tootsie (1982) está classificado em 33º lugar na Premiere Magazine’s 100 Greatest Performances of All Time (2006). Muito tempo.maos tarde ao entregar o prémio Cecil B. DeMille a Warren Beatty em 2007, mencionou que, durante a montagem dos filmes de Beatty, Ishtar (1987) foi completamente ignorado e, em jeito de brincadeira, anunciou que Ishtar 2 estava a ser preparado.
O realizador vencedor de um Oscar, John Schlesinger, imaginou um elenco com Al Pacino, Julie Christie e Laurence Olivier para Maratona da Morte (1976). Pacino disse que a única atriz com quem sempre quis trabalhar era Christie, que ele dizia ser “a mais poética das actrizes“. O produtor Robert Evans, que depreciou Pacino chamando-o de “O Anão” quando Francis Ford Coppola o queria para O Poderoso Chefão (1972) e tinha pensado em despedi-lo durante as primeiras filmagens do agora clássico filme, vetou Pacino para o papel principal. Em vez disso, Evans insistiu no elenco do ainda mais baixo Dustin Hoffman! Já Christie – que era notoriamente exigente quanto a aceitar papéis, mesmo em material prestigiado e seguro – recusou o papel principal feminino, que foi então ocupado por Marthe Keller (que, ironicamente, se tornou amante de Pacino depois de contracenar com ele em Um Momento, Uma Vida (1977)). Do seu elenco de sonho, Schlesinger só conseguiu Olivier, que foi indicado para um Oscar de Melhor Ator coadjuvante.