MÊS DE STEPHEN KING | IT A COISA

Por Adilson Carvalho

Andy Muschietti fez uma excelente adaptação de um dos livros mais assustadores de Stephen King, que já havia tido uma boa adaptação para a TV em 1990. Alimentando-se do sucesso da série Stranger Things que por sua vez se inspira nos trabalhos do renomado escritor, Muschietti renovou o interesse pelos livros do mestre do horror e fez o público flutuar. De acordo com Jean-Paul Sartre todos os homens têm medo”, é instintivo e onipresente no consciente coletivo como em It – A Coisa em que o autor trabalhou o medo e sua adaptabilidade nas mentes de crianças e adultos. Na história original, sete crianças são afetadas pelos assassinatos brutais cometidos por Pennywise, uma entidade capaz de mudar sua forma e se alimentar do medo que instiga antes de matar. Reunidos para caçar e eliminar a criatura, o Clube dos Perdedores, como as crianças se chamam, promete se reencontrar décadas depois, todos já adultos, para enfrentarem Pennywise, que voltou a perseguí-los. A aventura do livro se divide em dois tempos, no passado quando os membros do clube (Ben, Stanley, Beverly, Mike, Eddie, Ritchie e Bill) têm seu primeiro contato com a criatura em 1958, e na década de 80 quando adultos são atormentados pela volta do palhaço assassino. Cada um dos membros do clube permite que o autor trabalhe características que são fáceis de nos identificarmos como o menino hipocondríaco (Eddie), o garoto boca suja (Ritchie), o garoto inseguro (Stanley), o gordinho gentil (Ben), cada um espelho de nossa própria infância. A interação entre estes e a passagem para a vida adulta é tão importante para a narrativa quanto o embate com o maligno Pennywise. Assim, o livro de King, embora cheio de sequências ricas em sustos e pavor, também encontra espaço para mostrar a importância da amizade entre os membros do clube dos perdedores, da mesma forma que King faria com as crianças de seu conto O Corpo , incluído na coletânea Different Seasons de 1982. A dinâmica da narrativa é o paralelo traçado entre a infância e a vida adulta, inocência e malícia, vida e morte, temas presentes em diversos trabalhos como as crianças que adoram um deus do mal no conto As Crianças do Milharal (Children of the Corn) que compôs os vintes contos da coletânea Sombras da Noite (Nightshift) publicado em 1978. Na bem sucedida adaptação de 2017 a ação é transferida para o ano de 1989 se concentrando no elenco infantil.

De importância extrema está a adaptabilidade do medo nas mentes de crianças e adultos. Na história original, sete crianças são afetadas pelos assassinatos brutais cometidos por Pennywise, que pode mudar sua forma e se alimenta do medo que instiga antes de matar. Reunidos para caçar e eliminar a criatura, o Clube dos Perdedores, como as crianças se chamam, promete se reencontrar décadas depois, todos já adultos, para enfrentarem Pennywise, que voltou a matar crianças. A aventura se divide em dois tempos, no passado quando os membros do clube (Ben, Stanley, Beverly, Mike, Eddie, Ritchie e Bill) têm seu primeiro contato com a criatura em 1958, e na década de 80 quando estão adultos, na casa dos 40 anos, e a trágica morte de um deles anuncia a volta de Pennywise. O diretor Andy Maschietti acertadamente decidiu dividir o filme em duas produções aproveitando assim todo o rico material do livro. Se o primeiro se concentrou nas crianças, o segundo destaca suas versões adultas, com direito a flashbacks recorrentes aproveitando o talento jovial de suas contrapartes. O CGI precisou rejuvenescer os atores do primeiro filme e Bill Skarsgard mostra mais uma vez uma presença aterrorizante, desta vez com desejo de vingança como afirma o diretor. Este consegue fazer uma transposição imagética eficiente que o difere do livro e da versão de 1991 com Tim Curry, traduzindo algumas das impactantes sequências das letras de King, como um assassinato homofóbico cometido por Pennywise. Ainda houve espaço para criatividade nas filmagens quando o ator James McAvoy (X-Men Fênix Negra, Fragmentado) sugeriu a cena em que seu personagem enfrenta Pennywise em uma sala de espelhos, cena inexistente no livro. O próprio Stephen King escreveu uma cena também original para o filme, admitiu o diretor. Apesar da remoção da sequência final do livro, em favor de um encerramento mais intimista, Muschietti consegue um efeito de fato assustador na consolidação do Kingverso nas telas. O primeiro corte do filme tinha 4 horas, e por isso algumas das passagens do livro acabaram no chão da sala de edição, provando ser missão hercúlea, a de transpor as mais de 1000 páginas do livro publicado pela primeira vez em 1986. No final, a projeção ficou com 169 minutos, quase três horas de pavor, mas de impacto emocional inegável graças à habilidade de King como contador de histórias. O filme está disponível no MAX.

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